PF apreende 18 toneladas de maconha
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sábado, 10 de fevereiro de 2001
João Naves de Oliveira Especial para a AE De Campo Grande 
Uma carga de 18.662 quilos de maconha prensada foi apreendida pela Polícia Federal, em Mato Grosso do Sul. A droga estava camuflada entre vigas de madeira aparelhada, na carreta Scania placa ABS-7638, de Cascavel, Paraná. O motorista da carreta, João Carlos Tamanho, 33 anos, foi preso em flagrante. É a maior apreensão já realizada na América Latina, segundo a PF. O recorde superou em 162 quilos uma operação ocorrida em julho do ano passado, quando a Polícia Rodoviária Federal confiscou 18,5 toneladas do entorpecente no município de Dourados (MS).
O flagrante aconteceu no final da tarde de anteontem no quilômetro 18 da BR-463, na cidade de Mundo Novo, divisa com o Paraná, extremo sul de MS. A pesagem do carregamento tóxico só foi concluída ontem por volta de 10 horas.
Os pacotes prensados contendo um quilo do produto, têm siglas e cores de embalagens diferentes em cada quantidade de três a cinco toneladas. Isso, conforme explicou o superintendente regional da Polícia Federal no Estado, Vantuir Brasil Jacine, indica que a carga é propriedade de um consórcio de traficantes, que usa o sistema para não sofrer grandes prejuízos. Jacine disse também que a droga foi produzida em Capitán Bado, Paraguai, na divisa com Coronel Sapucaia, MS, território sob influência do grupo formado por Luiz Fernando da Costa, Fernandinho Beira Mar.
Há menos de quatro anos, a região era dominada pela família Morel, considerada por membros da CPI do Narcotráfico, como a maior produtora de maconha paraguaia. O líder dos Morel, João Morel, 62 anos, foi assassinado dentro da cela do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande no dia 21 último, pelo presidiário, Odair Moreira da Silva, 23 anos. Uma semana antes, seus dois filhos, Ramão Cristobal e Mauro Ezequiel Morel, foram assassinados, a mando de Beira Mar, dentro da fazenda de João em Capitán Bado.
O último assassinato atribuído à guerra do narcotráfico na área dominada por Beira Mar, foi de Juan Bautista Florenciano Rojas, 38 anos, no dia 30 do mês passado. Policiais do Departamento de Investigações de Narcóticos (Dinar), reconheceram Rojas como informante do órgão paraguaio, e garantem que ele foi morto por causa disso.
Luciano José Lopes, 22 anos, empregado de João Morel, presenciou o assassinato dos filhos do ex-patrão e foi jurado de morte. Com medo fugiu para a capital paulista. Quarta-feira desta semana ele foi preso na BR-463, próximo de Ponta Porã, pela Polícia Rodoviária Federal com dez bolinhas de haxixe, na cintura, acondicionadas em sacos plásticos.


