São Paulo, 29 (AE) - A Polícia Federal (PF) enviou hoje um alerta a todos os aeroportos do País para impedir a fuga dos empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Correa Teixeira Ferraz, respectivamente diretor-presidente e vice-presidente da Incorporadora Incal, acusados de envolvimento no desvio de verbas destinadas à construção do Fórum trabalhista de São Paulo. Barros e Ferraz tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça Federal no processo em que são suspeitos de remessa ilegal de US$ 3,29 milhões para uma conta bancária nos Estados Unidos.
A PF trabalha com a hipótese de que os empresários podem tentar sair do Brasil enquanto os advogados deles tomam medidas para revogar a ordem de captura. Um habeas-corpus poderá ser interposto no Tribunal Regional Federal (TRF). Os criminalistas Márcio Thomaz Bastos e Leônidas Ribeiro Sholz ainda não definiram a estratégia da defesa. A apresentação espontânea dos acusados está descartada. Para Sholz, o único fundamento invocado para decretação da prisão foi a lesão causada. "Não vejo como argumento suficiente", avaliou o advogado.
O delegado regional da PF, Jaber Makul Hanna Saadi, destacou uma equipe de 15 agentes para realizar buscas nos endereços comerciais e residenciais dos procurados. Além de Barros e Ferraz, o juiz Casem Mazloum, da 1.ª Vara Federal, mandou prender Pedro Rodovalho Marcondes Chaves Neto, representante da financeira International Real Estate Investiments Company, sediada no Panamá. A decretação da prisão dos donos da Incal e do representante da Real foi requerida pela procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn.
A procuradora apurou a realização de uma transferência triangular ao exterior de recursos pertencentes à Incal, acobertada por um suposto contrato de câmbio firmado pela Contrec Comércio, Importação e Exportação. "Tudo indica que o contrato foi inteiramente simulado", assinalou Karen. Segundo a denúncia, a operação foi montada por meio de uma importação de livros técnicos pela Manaus Trading Corporation, sediada em Miami. Essa empresa teria sido usada para captar "uma enorme quantidade de recursos provenientes de empresas brasileiras, dentre as quais a Incal ".
Procedimento fiscal executado pela Receita Federal na contabilidade da Construtora Ikal - controlada pela Incal - constatou que a empreiteira do fórum contabilizou a operação com a Contrec como "investimentos no exterior". Segundo Karen, a remessa de valores pela Incal "de nenhuma forma" foi efetuada pelas vias legais e normas cambiais a que estão sujeitas as pessoas físicas e jurídicas. "O elevado poder econômico do Grupo Monteiro de Barros e seus dirigentes obviamente atuará de forma a tentar obstruir a colheira de provas dos ilícitos, ocultando ou fazendo desaparecer eventuais elementos probatórios e provas adicionais", adverte a procuradora.