Cuiabá, MT- Os pilotos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino poderão ser processados por homicídio culposo ou dolo eventual e atentado contra a segurança de transporte aéreo. A Polícia Federal instaurou ontem a pedido do Ministério Público Federal (MPF), inquérito paralelo ao da Polícia Civil de Mato Grosso para apurar se eles estariam testando o jato Legacy com manobras arriscadas ao bater no avião da Gol, com 155 passageiros.
Hoje representantes da PF, Ministério Público Estadual e Federal e Polícia Civil definem, em Cuiabá, os procedimentos para definir a competência de quem irá investigar criminalmente os responsáveis pelo acidente.
Nos inquéritos abertos, as polícias Federal e Civil já sabem que o jato Legacy não estava na altitude prevista no plano de vôo registrado - a 36 mil pés de altura -, e sim a 37 mil pés. A ordem para atingir esta altitude, o equivalente a dez mil metros, teria sido dada pela torre de controle de tráfego aéreo de Brasília, confessaram os pilotos ao delegado da Polícia Civil, Anderson Garcia. O inquérito será concluído em 25 dias.
O delegado responsável, Luciano Inácio, aguarda para os próximos dias a documentação da Federal Administration Agency (FAA), a agência americana de aviação, e da empresa americana de táxi aéreo ExcelAire, onde Lepore e Palladino trabalham. A reportagem apurou que os dois não têm habilitação específica exigida para pilotar aviões da Embraer.
Outros documentos que estão sendo aguardados são os laudos sobre as rotas, planos e mapas de vôos do Legacy e do boeing da Gol. Provas colhidas pelos peritos da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira (FAB) no local da queda do avião, a 40 quilômetros da Fazenda Jarinã, em Peixoto de Azevedo, também serão anexadas ao inquérito, informou o delegado Luciano Inácio.
Uma das principais indagações em ambos os inquérito é se os pilotos teriam desligado o transponder, equipamento que mantém a aeronave dentro dos radares. No depoimento à polícia em Cuiabá, Lepore e Palladino afirmaram categoricamente que não viram nos radares a aproximação do boeing da Gol. Perceberam apenas um choque contra o Legacy como se fosse uma batida de automóvel. Duas horas depois, na Base Aérea da Serra do Cachimbo, ficaram sabendo do acidente que matou 155 pessoas.

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