PF abre inquérito para apurar morte de peixes na Lagoa
PF abre inquérito para apurar morte de peixes na Lagoa15/Mar, 18:37 Por Felipe Werneck Rio, 15 (AE) - O delegado Ricardo Bechara, do Núcleo de Prevenção e Repressão a Crimes Ambientais da Polícia Federal, instaurou inquérito hoje para apurar responsabilidades pela morte de 132 toneladas de peixe na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, após o carnaval. O pedido foi da Procuradoria da República no Rio. No dia 6 peritos da PF fizeram uma coleta de amostras no local. Nas próximas semanas deverão ser ouvidos os secretários estadual e municipal do Meio Ambiente, os presidentes da Cedae e da Fundação Rio águas, pescadores e o biólogo Mário Moscatelli, que se demitu do governo. O promotor Sávio Bittencourt, da equipe de Proteção ao Meio Ambiente do Ministério Público Estadual do RJ, pode determinar amanhã a realização de uma auditoria ambiental externa na Companhia Estadual de águas e Esgotos (Cedae). "Não basta uma solução paliativa, é preciso uma auditoria externa, formada por um pool de universidades, que tome decisões técnicas a curto prazo", argumenta o promotor. Mas antes, amanhã (16) à tarde, ele se reúne no MP com o deputado Carlos Minc (PT), presidente da comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do RJ, para discutir os dez itens da auditoria com o biólogo Mário Moscatelli, que pediu demissão do governo estadual. Minc quer estabelecer um cronograma público de obras, em audiência marcada para sexta-feira. Desassoreamento - Um dia depois de o governo estadual ter anunciado o início, em 20 dias, da dragagem do canal da Rua General Garzon - que despeja na lagoa água e poluição trazidas pelos rios Macacos e Cabeça -, a fundação municipal Rio-águas marcou para sexta-feira o início do mesmo trabalho de desassoreamento. Em vistoria feita pela manhã na orla da lagoa, o diretor de Esgotos da Cedae, Evandro Brito, negou mais uma vez o lançamento de esgoto: "Isso aqui é óleo e gordura", disse, referindo-se à poluição encontrada na frente das galerias de água pluvial. "Vamos iniciar uma fiscalização nos restaurantes e postos." Em meio à polêmica entre Estado e Município sobre as ações a curto prazo para resolver os problemas ambientais, resta à população esperar até o verão de 2003, prazo previsto para conclusão da obra de alargamento do canal do Jardim de Alah, apontada como "solução definitiva" para a lagoa. Nesse caso, pelo menos, há consenso entre os governos municipal e estadual: o projeto é da prefeitura e o Estado deverá financiar os US$ 25 milhões necessários. O governo estadual já anunciou a assinatura de um termo de ajustamento de conduta para adaptar a Cedae às normas ambientais. Para o secretário estadual do Meio Ambiente, André Corrêa, a Cedae "é vítima de 25 anos de falta de investimentos". Além de detalhar a aplicação de recursos, o termo deverá estabelecer um cronograma de obras e metas da empresa. "Com os R$ 700 milhões que a Cedae arrecada por ano no Rio, eu resolveria todos os problemas de esgoto", afirma o secretário municipal do Meio Ambiente, Maurício Lobo, que culpa a Cedae pelos problemas. Protesto - Está programado para domingo um protesto na Lagoa. A associação de moradores do local quer isenção do pagamento de taxas de esgoto. A contaminação de esportistas como o remador Sandro Lopes, 23 anos, que contraiu hepatite supostamente após cair na água da lagoa, também preocupa. No Botafogo, porém, o movimento da escola de remo foi normal hoje.





