PF abre inquérito contra secretário da Agricultura de SP
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quarta-feira, 21 de julho de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 22 (AE) - A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar denúncia de uso da máquina governamental pelo secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. Durante reunião com lideranças políticas regionais do PSDB, em 28 de abril, em Sorocaba, no interior de São Paulo, Meirelles teria colocado a secretaria à disposição dos políticos do partido governista "para, assim, eleger os atuais prefeitos, tucanos, aumentar as bancadas nas câmaras municipais e ajudar a eleger o governador Mário Covas (PSDB) como presidente da República em 2002".
O inquérito, instaurado pela Delegacia da PF em Sorocaba
tem como base uma representação protocolada na Procuradoria Regional Eleitoral por vereadores do PMDB e do PFL de Votorantim (SP). O jornalista Fábio Jammal Makhoul, repórter do jornal "Cruzeiro do Sul", de Sorocaba, que participou da reunião e denunciou o uso da máquina, será ouvido na quinta-feira (29). Ele disse hoje que vai confirmar o que escreveu. "Tenho como testemunhas dezenas de pessoas que participaram da reunião", afirmou.
Segundo Makhoul, o encontro foi realizado no escritório político do deputado federal Antônio Carlos Pannunzio, tendo ainda a presença do prefeito de Sorocaba, Renato Amary (PSDB), e de outros líderes do partido. Meirelles acentuou que a Secretaria da Agricultura "está de portas abertas para atender principalmente ao PMDB". O secretário disse ainda que considerava bom o caráter partidário do encontro porque, assim, poderia "falar sem cerimônias". Na ocasião, o deputado Hamilton Pereira (PT) denunciou o uso da máquina à Procuradoria-Geral de Justiça e relatou a denúncia publicada pelo jornal, em discurso na Assembléia.
Pereira disse que enviou ofício a Covas pedindo providências, mas não obteve resposta. Segundo ele, o uso da máquina administrativa para favorecimento pessoal ou de terceiros é considerado crime de improbidade administrativa, punido com a perda do cargo, suspensão de direitos políticos por um período de três a cinco anos e multa de até cem vezes o salário.


