Peugeot não altera planos de investimentos no Brasil
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sexta-feira, 29 de janeiro de 1999
por Marli Olmos 
São Paulo, 29(AE) - O Grupo PSA Peugeot Citron faz, às 11h de hoje, o assentamento da pedra fundamental da fábrica que será construída em Porto Real, Rio de Janeiro, e anunciará que a desvalorização cambial não alterará os planos de investir US$ 1 bilhão no Brasil. Há pouco mais de uma semana, os representantes do grupo francês no Brasil foram a Paris para explicar os possíveis efeitos, para a economia brasileira e o setor automotivo, da súbita alteração cambial.
"Concluímos que, mais do que nunca, é necessário produzir carros no Brasil", disse o presidente da Peugeot do Brasil, Cees Hermanns.
Poucas horas antes do assentamento da pedra, toda a comitiva do grupo, do Brasil e da França, passou por uma verdadeira maratona de encontros com o governo brasileiro. O presidente mundial do grupo, Jean-Martin Folz, que chegou ontem de manhã da França, foi diretamente a Brasília encontrar-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso. De lá, foi encontrar-se com o presidente da Associaçao Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. Em seguida, foi para uma reuniâo, à noite, no Rio de Janeiro, com o governador Anthony Garotinho.
Por volta de meia-noite, Folz ainda encontrou fôlego para reunir-se com sua equipe. Para não perder tempo, o executivo francês armou uma reunião, rapidamente, à beira da piscina do Copacabana Palace, para discutir os detalhes finais do empreendimento com seus assistentes. No início desta manhã, Folz ainda encontrou-se, mais uma vez, com Garotinho, antes de viajar até Porto Real, que fica a 146 kms da Capital.
Segundo Hermanns, com a desvalorização do câmbio, a empresa entende que vale ainda mais a pena construir uma fábrica no País. É possível que o grupo opte por ter mais peças nacionais assim que começar a operar a fábrica. Está mantida a previsão de inaugurar a planta no final do ano 2000. Inicialmente, serão produzidos dois veículos: o modelo pequeno 206, da Peugeot; e a minivan Picasso, da Citron. O investimento de US$ 1 bilhão inclui os recursos que serão gastos pelos fornecedores mais próximos, que se instalarão junto à fábrica.
Para o presidente da Peugeot do Brasil, o câmbio deverá estabilizar-se em R$ 1,60. Tanto Peugeot quanto Citron estao, por enquanto, absorvendo o prejuízo da desvalorização cambial. A Peugeot utiliza a estratégia de fixar duas tabelas em real. Assim, tem mantido os valores de oito meses atrás. A Citron manterá o câmbio de R$ 1,23 até o próximo dia 9. "Depois, acompanharemos o mercado para não perder vendas", disse o representante da Citron no Brasil, Sérgio Habbib.
"Estamos absorvendo o prejuízo porque precisamos ampliar a rede neste momento e marcar presença no Brasil", destacou Hermanns. "Não vamos conseguir aproveitar o mercado brasileiro, que tem enorme potencial, se começarmos a trabalhar as marcas quando a crise passar", completou Hermanns.


