Petros vai vender participações em imóveis
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 18 (AE) - A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, vai iniciar a venda de participações em shoppings, hipermercados, lojas e prédios para reduzir seus investimentos em imóveis, hoje em cerca de R$ 748 milhões, 14,3% do total de suas aplicações. A empresa que fará auditoria na carteira imobiliária está sendo escolhida pela direção do fundo, que registra hoje um rendimento anual equivalente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais 8,5%. O resultado é muito modesto se comparado à média de aplicações financeiras que passam, no ano, a casa dos 20%.
A venda de participações imobiliárias será feita ao longo de dois ou três anos, ao final dos quais a carteira estará reduzida a, no máximo, 10% do total de aplicações, atualmente de R$ 5,23 bilhões. "Não é prioridade continuar investindo em shoppings, mas não queremos vender mal as participações imobiliárias que já temos, por isso não teremos pressa em fechar negócio", explica o presidente da Petros, Carlos Flory.
Ele reafirmou hoje que as mudanças feitas sexta-feira no balanço contábil da Petrobras tiveram como principal objetivo dar mais transparência à empresa no mercado. Lembrando que a consequência mais imediata das alterações foi "acabar com as especulações" sobre o déficit atuarial da Petros (de R$ 5,591 bilhões), ele explicou que a diferença entre este valor e o que constava de nota ao pé de página no balanço de 1998, de R$ 3,7 bilhões, se deve ao efeito dos tributos que incidiram sobre a dívida.
A Previ, que, além da Petrobras e de quatro de suas subsidiárias, é hoje patrocinada por outras nove empresas privadas, está buscando novos patrocinadores. Recentemente firmou acordo com a argentina Yacimientos Petroliferos Fiscales (YPF) e estuda outras três propostas no mercado, que Flory não quis adiantar. A reestruturação do fundo dará prioridade a investimentos com retorno mais a longo prazo, como participação em projects finance (modalidades de financiamento cuja garantia é a produção futura do projeto) na construção de termoelétricas e em atividade de exploração e produção de petróleo. "Vamos pautar investimentos dentro da nova realidade da economia brasileira, que caminha para taxas de juros de um dígito", comentou.
"Vamos dar preferência à rentabilidade de projetos confiáveis em vez de aplicar em títulos de mercado e em shoppings", afirmou. A Petros, fundada há 29 anos, tem 90 mil associados e patrimônio de R$ 5,42 bilhões. A maior parte de seus investimentos (53,18%) são em fundos de renda fixa, seguida por aplicações em renda variável (23,79%), imóveis (14,29%), títulos governamentais (3,18%), fundo imobiliário (3,05%) e operações com participantes (2,51%).


