Rio, 30 (AE) - Depois de assinar um contrato para desenhar um plano de previdência para a companhia argentina YPF, a Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobras) estuda a venda de seus serviços para outras três empresas privadas nos próximos meses. Essa é a primeira vez em que um fundo ligado a uma estatal presta serviços à uma companhia privada no Brasil. "Esse é um marco e um caminho natural para o crescimento dos fundos no País", avaliou o presidente da Petros, Carlos Flory. "Quando a reforma da Previdência for regulamentada todos poderão ter fundos, mas faltará bons gestores como a Petros."
Flory não quis adiantar os nomes das empresas interessadas em comprar os serviços prestados pelo fundo de pensão, mas deixou escapar que o interesse tem crescido nos últimos meses. Ele prevê uma expansão desse mercado e, por isso, acelerou as negociações para que a Petros fosse pioneira. Pelo contrato, o fundo vai criar um plano de previdência no modelo de contribuição definida para os 100 funcionários que a YPF tem no Brasil.
A idéia é usar o know-how e a estrutura administrativa do fundo para ampliar os ganhos dos empregados da empresa argentina. Em troca será cobrada uma taxa de administração pela Petros. A Petros tem 14 patrocinadoras: Petrobras, suas subsidiárias e empresas vendidas pela estatal, como a Petroquímica União. Mas a fundação quer atrair mais empresas, nesse caso as ligadas ao setor petrolífero, como fornecedores. A Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal, também não descarta projeto semelhante.
A idéia tomou força entre os fundos de pensão ligados a empresas privatizadas - como a Valia (Companhia Vale do Rio Doce) -, que na era estatal acumulavam déficits atuariais. "Vender esse serviço é ganho de escala, de receita previdenciária, é otimização de custos", resume o presidente da Valia, Eustáquio Lott.
A Valia, com ativos de R$ 2,2 bilhões, começou estendendo os planos a duas coligadas da Vale, a Cenibra e a Valesul, há dois anos. O projeto de gestão de ativos de terceiros será implantado de forma gradual, explicou Lott. Primeiro, a fundação quer cobrir as outras empresas do grupo que não têm plano de previdência. Depois, pretende oferecer planos para as empresas nas quais a Valia tem participação. A terceira fase será, finalmente, a busca de qualquer tipo de patrocinador no mercado.
"Mas isso será mais viável quando estiverem regulamentados os três projetos de lei complementar que tratam da previdência privada", disse Lott. Um deles é o da portabilidade: é fundamental ter regras claras para que qualquer indivíduo possa carregar seus ativos quando mudar de empresa e, consequentemente, de plano. As empresas também deverão poder fazer o mesmo se trocarem de gestor.
A Telos, dos funcionários da privatizada Embratel e com R$ 1 bilhão em ativos, também vai criar e administrar fundos de pensão de terceiros. Segundo o diretor-superintendente, Eduardo Pontual, a fundação já está conversando com potenciais clientes.

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