Petros poderá financiar projetos de termoelétricas
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 07 (AE) - A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, poderá financiar projetos de usinas termoelétricas. Segundo o presidente da fundação, Carlos Flory, a Petros conversa com potenciais parceiros que já anunciaram investimentos. "É natural estar em um projeto no Estado do Rio, que alimenta o eixo Rio-São Paulo", disse. "E é possível que se vislumbre um projeto concreto no ano que vem", completou o executivo.
Flory assumiu a Petros em agosto. A nova diretoria da fundação decidiu investir na infra-estrutura, no modelo de project finance, como alternativa de alcançar mais rentabilidade do que a renda fixa, cada vez mais prejudicada com a queda dos juros. "Também participamos para participar do desenvolvimento do País", afirma.
Na semana passada, a Petros liberou R$ 35 milhões para ter uma parcela de 11,5% em um project finance liderado pela Petrobras no campo de Marlim. Segundo Flory, a Petrobras garante uma remuneração mínima pela taxa Anbid, "mas o projeto já está proporcionando rendimentos além disso e pagando mais do títulos públicos".
Recentemente, a Petrobras reconheceu uma dívida de cerca de R$ 5,8 bilhões com a Petros, o que dobra os ativos da fundação - a empresa já pagava mensalmente uma quantia de R$ 33 milhões, mas por um convênio relativo a essa dívida. O pagamento
agora, pode ser convertido em participação em project finance da empresa, explicou Flory, se a Petros avaliar que o empreendimento irá render bem.
Flory quer transferir boa parte do dinheiro aplicado em renda fixa para project finance. Daqui a um ano, a parcela transferida pode chegar a 10% da carteira de renda fixa - hoje 55% das aplicações da fundação - e dobrar em três ou quatro anos.
A Petros, que anunciou hoje ter recebido o Prêmio Rio de Qualidade, está analisando com cuidado suas participações nas empresas siderúrgicas, sobretudo a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Flory admite que espera a movimentação dos outros sócios.
O executivo explicou também que a Petros quer optar pelo modelo de contribuição definida, em que o participante sabe com quanto arcará, mas recebe a aposentadoria de acordo com a rentabilidade do fundo de pensão. Ele estuda o que fazer com os planos antigos, de benefício definido. Uma das saídas cogitadas é propor um plano intermediário. A partir de uma determinada data, o participante mudaria seu plano para contribuição definida, e, em contrapartida, poderia levar todas as suas reservas para outra empresa, se deixasse a Petrobras.


