Petroquímica Triunfo reduz em 7% produção de polietileno
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segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 03 (AE) - A Petroquímica Triunfo reduziu em 7% sua produção de polietileno de baixa densidade no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. No total foram produzidas 68,3 mil toneladas, o que levou a empresa a recorrer aos seus estoques para manter o atendimento ao mercado e garantir um incremento de 19% na receita bruta no período, informou o diretor Luiz Briones.
De acordo com o executivo, a queda na produção foi provocada por "restrições" no fornecimento de eteno pela Copesul. Em abril, a central de matérias-primas do pólo petroquímico gaúcho teve que cortar suas operações à metade devido a uma pane nos seus equipamentos, diminuindo proporcionalmente as entregas aos seus clientes.
Briones evitou revelar números absolutos porque o desempenho do primeiro semestre ainda não foi auditado. Ele informou, porém
que em relação aos seis primeiros meses de 1998 a empresa aumentou em 5% as vendas no País e em 9% as exportações, que chegaram perto das 15 mil toneladas. As vendas externas foram decisivas para a expansão do faturamento em reais, beneficiadas pela desvalorização cambial do início do ano.
Para assegurar sua posição no mercado interno de polietilenos
onde detém uma fatia de 17%, além de lançar mãos dos seus estoques sem criar "clima de desabastecimento", a Triunfo também aumentou as importações dos Estados Unidos, Malásia e Indonésia para revender os produtos aos seus clientes brasileiros, disse o diretor. Até o final do ano, conforme Briones, a empresa deve elevar entre 20% e 30% as compras externas, que em 1998 totalizaram 10 mil toneladas.
Segundo o diretor, a companhia concluiu, em junho, uma operação de "desgargalamento" que já lhe permite operar a uma capacidade plena de 160 mil toneladas anuais na planta atual. No ano passado ela fabricou 146 mil toneladas de polietilenos e registrou vendas de 155 mil, complementadas pelos produtos importados. A receita operacional bruta no período somou R$ 194 6 milhões e o lucro líquido atingiu R$ 28,6 milhões.
"Dependendo da oferta de eteno", disse o executivo, a empresa tem condições de produzir até 80 mil toneladas no segundo semestre, ultrapassando, no acumulado do ano, o volume de 1998.
Controlada pela Petroquisa (45,22%), Petroplastic (28,83%) e grupo Dow (25,23%), a Triunfo tem aprovado um projeto para a construção de uma nova unidade no pólo gaúcho, com capacidade para 130 mil toneladas de polietilenos por ano, disse Briones. A engenharia financeira para bancar os cerca de US$ 150 milhões em investimentos já está concluída, mas a expansão depende da identificação de um fornecedor de eteno de longo prazo.
Atualmente a empresa tem um contrato para adquirir 135 mil toneladas de eteno por ano da Copesul. Ela também foi beneficiada pela recente decisão do Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade), que obriga a central de matérias-primas a fazer oferta pública (sem direito à habilitação de suas controladoras Odebrecht e Ipiranga) dos excedentes de eteno gerados pela sua expansão inaugurada mês passado.
Mesmo assim, o volume de fornecimento ainda é insuficiente para abastecer a nova unidade, que levaria 30 meses para ser implantada, disse Briones. Ele explicou que a Triunfo está mantendo contatos com a própria Copesul para assegurar maiores quantidades de matéria-prima com "razoáveis" chances de sucesso. Caso não haja acordo, a solução será recorrer a outros pólos, completou.
O diretor não quis fazer maiores comentários sobre um eventual interesse da empresa em aumentar sua participação acionária na central gaúcha (atualmente restrita a 0,67% do capital votante) como forma de facilitar as negociações. "Esta não é uma situação indispensável, mas certamente ajudaria", limitou-se a observar.
Na opinião de Briones, o mercado nacional de resinas termoplásticas ficará mais competitivo com a entrada em operação de novas plantas das principais petroquímicas de segunda geração mas não há risco de uma "guerra de preços". A razão, explica, é o elevado grau de depreciação dos pesados investimentos que vêm sendo feitos pelas empresas que, por causa disso, não podem comprometer excessivamente suas margens.
Ele também avalia que num prazo de dois a três anos o Mercosul se tornará superavitário em polietilenos, exigindo dos fabricantes locais uma postura mais agressiva sobre terceiros mercados. Em 2000 será dada a partida da ampliação do pólo de Bahía Blanca, controlado pela própria Dow, o que forçará a Triunfo a redirecionar suas exportações, hoje 70% concentradas no bloco econômico regional, para outros clientes, como Espanha, Inglaterra, Estados Unidos, China e áfrica do Sul, adiantou Briones.


