São Paulo, 20 (AE) - Aquela prosaica sacola de feira e mercado está ganhando uma nova função: reduzir de 62% a 93% o teor de agroquímicos contidos em frutas e hortaliças. Com tecnologia desenvovida em Taiwan, a partir do primeiro trimestre de 2000 a paulistana CM Comercial, que adquiriu a patente do produto, inicia a fabricação no Brasil. De polipropileno (PP) por fora e revestimento interno de polietileno de baixa densidade, o que agrega valor à sacola e, inclusive à saúde, segundo a diretora da CM, Mariângela Guazelli, é a estampa petit-poá impressa no seu interior.
As bolinhas escuras são as responsáveis pelo processo óptico-físico de decomposição dos agroquímicos, informa a diretora. Daí a denominação da nova sacola: ACR Bag (Agri-Chemical Reducing Bag).
Frutas, legumes e verduras depositadas na ACR Bag exposta ao sol, durante 30 minutos, têm o teor de herbicidas e pesticidas reduzido em 62%. Caso fique sob os raios ultravioleta do sol por mais tempo, a eliminação de agroquímicos pode chegar ao limite de 93%. Em tempos de transgênicos, que exigem doses superiores de defensivos - porque entre suas características está a resistência aos agroquímicos hoje utilizados -, ressalta Mariângela, a sacola é um ótimo recurso preventivo aos consumidores.
O produto possui atestado mundial de qualidade e eficiência emitido pela filial taiwanesa da SGS (Société Générale de Surveillance), com matriz na Suíça e atuação em todo o mundo. "E vamos submeter o produto à análise dos institutos Adolfo Lutz e Falcão Bauer, para obtermos a certificação brasileira", completa a diretora da CM.
Antes de iniciar a fabricação no Brasil, a empresa vai importar 2 mil unidades das sacolas (capacidade para dois quilos) para distribuir no mercado interno. Já em janeiro, serão importadas bobinas do filme multicamadas, que serão recortadas em tamanhos diferentes a fim de atender a outros segmentos da economia, além do varejo - para onde vão as sacolas. No agronegócios, o filme pode ser usado em estufas, em forma de sacaria e lonas de caminhão que transportam produtos do campo.
De acordo com a receptividade do mercado, a CM passará a produzir no Brasil a partir de abril. O investimento na construção, máquinas e equipamentos da indústria é estimado em US$ 800 mil a US$ 1 milhão. E a capacidade instalada será para a transformação de 50 toneladas/mês.
A ACR Bag é lavável e sua vida útil é de um ano. Após a lavagem, para reativar o processo de decomposição óptico-físico, basta colocar a sacola sob o sol. Elas medem 45 centímetros (cm) de largura por 35cm de altura e 12cm de largura na base. "O preço de venda no varejo deverá ser de R$ 5,00, por unidade", calcula Mariângela Guazelli. A empresa brasileira terá de pagar à asiática 10% sobre o seu faturamento bruto, pelos royalties. "Mas o projeto foi apresentado ao BNDES, e há possibilidade de o Banco financiar a compra da tecnologia, porque o produto é reciclável", adianta da diretora da CM.

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