Petroquímica: Nafta mais cara trará novos aumentos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
por Carin Homonnay Petti 
São Paulo, 24 (AE) - Depois de subir com a desvalorização cambial, os preços adotados pelas três centrais de matéria-prima para indústria petroquímica do País vão ficar ainda mais pesados
caso o governo confirme a intenção de responder aos aumentos de 20% a 25% nas resinas com reajustes no preço da nafta. Segundo Edson Eden, o diretor-superintendente da Petroquímica União (PQU), a central do pólo de Capuava, na região do ABC paulista, a nafta mais cara fará com que as centrais atrelem seus preços às cotações internacionais.
O ajuste, porém, não deve ser repassado pelos produtores de resinas, clientes da PQU e das outras duas empresas do gênero no País: Copene e Copesul. Quem explica é Jean Daniel Peter, presidente do Siresp, sindicato que reúne as principais indústria do setor em São Paulo. Ele alega que as altas já promovidas para aproximar seus preços dos cobrados no exterior são suficientes para absorver custos maiores.
Também as centrais de matéria-prima realizaram aumentos, depois da desvalorização cambial, para chegar mais perto dos parâmetros internacionais. O eteno, principal insumo da indústria petroquímica, subiu em média 10% na Copene, 9% na Copesul e 6,5% na PQU. No caso dos aromáticos, alguns itens ficaram até 20% mais caros. Segundo Eden, caso isso não ocorresse, o setor tenderia a aumentar as exportações em busca de lucros mais polpudos. Ele também atribui os reajustes a outro motivo: com o real desvalorizado é preciso faturar mais para pagar dívidas em dólar. A PQU, por exemplo, tem na moeda americana um terço dos US$ 180 milhões que deve. "Não posso comprar o dólar a U$ 1,20 para pagar os compromissos no exterior", ironiza Eden.
"Mesmo com os ajustes, nossos preços estão abaixo dos adotados no exterior", compara o executivo. "Com a nafta mais cara, teremos de equiparar as cotações", completa. Segundo ele, a tonelada do eteno no Brasil custa US$ 335, menos que os US$ 389 da Europa e os US$ 386 dos Estados Unidos. Para os cálculos, o real foi cotado a US$ 1,83.
Resinas - Os aumentos decorrentes da nafta mais cara não serão repassados aos preços das resinas desde que a alta prometida pelo governo seja "civilizada", afirma Jean Peter. Por civilizado, ele entende algo inferior a 10%, uma vez que a cotação do nafta e do petróleo vêm despencando no mundo todo. "Desde dezembro a nafta já caiu de 15% a 18% no mercado internacional ", diz o diretor-superintendente da PQU.
O congelamento da nafta foi obtido com a suspensão por 90 dias da vinculação do preço no País às cotações internacionais. Com cerca de 40% do produto no País é importado, o governo recorreu à medida na tentativa de conter explosão de preços no setor, cujo reflexo chega a tudo que é feito de plástico, como embalagens.
Para manter o valor da nafta inalterado com o dólar mais caro, o governo recorreu a recursos da Parcela de Preço Específica (PPE), fundo formado ao longo dos anos com a receita da diferença entre o preço do petróleo no exterior e no Brasil e utilizado para abater a chamada conta-petróleo. Essa "conta" é a dívida do tesouro com a Petrobrás, resultado de subsídios para derivados de petróleo. Quanto mais o governo gasta para manter a nafta barata, menos é o abatimento da dívida.


