Washington, 15 (AE-DOW JONES) - Analistas ouvidos pela Dow Jones acreditam que a recente alta do petróleo, que está oscilando acima de US$ 30,00 o barril, não terá um impacto tão grande sobre os mercados de ações norte-americanos, como em anos anteriores. Historicamente, uma alta acentuada do petróleo provoca uma queda nos mercados de ações. Contudo, analistas ressaltam que a economia norte-americana é hoje menos dependente de petróleo do que há 20 anos. Portanto, essa elevação nos preços da commodity deverá ter um impacto mínimo em muitos setores da economia dos EUA.
"O petróleo representa 3% dos custos", disse o estrategista-chefe de investimentos da Joseph Gunnar, Don Selkin. "A mão-de-obra representa 70%. A alta do petróleo não terá o mesmo efeito de anos anteriores", acrescentou. Segundo analistas, a alta nos preços de petróleo pode ser analisada de uma forma similar ao que está ocorrendo no mercado de bônus. "Qual a diferença de 25 ou 50 pontos percentuais a mais nos bônus de longo prazo para os setores de tecnologia e de serviços?", diz Barry Hyman, analista sênior de mercado da Ehrenkrantz King Nussbaum. "O barril do petróleo a US$ 30,00 fará alguma diferença quando a maior parte da nossa economia é dirigida pelo setor não-manufatureiro? Nesse ponto, minha análise é de que isso terá pouco impacto nos mercados de ações"
completou.
Além disso, alguns analistas estão céticos quanto a possibilidade de o barril de petróleo continuar nos níveis atuais por um longo prazo. "Poucas pessoas acreditam que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não irá elevar a produção. A última coisa que a Opep quer é desacelerar o crescimento global através da elevação dos preços do petróleo, o que poderia prejudicá-los muito mais do que um ambiente de cotações baixas", disse Hyman.
O analista ressaltou também que as companhias petrolíferas norte-americanas não aumentaram sua produção para tirar vantagem dos preços elevados. Selkin observou ainda que no mercado futuro os preços estão sequencialmente em baixa, sugerindo que os investidores não acreditam na duração dessa tendência de alta. Contudo, se os preços subirem muito acima dos níveis atuais - o que aparentemente é muito improvável -, então poderá haver alguma consequência nos setores mais dependentes de combustível, como as companhias de indústria pesada e de transportes - que já sentiram algum pequeno impacto.
Para Selkin e Hyman, as flutuações do preço do petróleo tiveram pouca relação com a forte queda das ações do setor de tecnologia e a fraca performance geral em Wall Street nessa terça-feira. "As coisas ficam uma hora muito avaliadas e na outra muito baratas. No longo prazo, as ações de tecnologia são o lugar onde os investidores vão estar", disse Selkin.

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