Petróleo pode gerar saldo comercial abaixo de US$ 2 bi
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Rita Tavares 
São Paulo, 16 (AE) - A alta do preço do petróleo no mercado internacional poderá forçar uma revisão para baixo do saldo da balança comercial brasileira em 2000. O consultor Fábio Silveira, da Tendências Consultores, ainda estima um saldo de US$ 2 bilhões, mas admite que poderá ser ainda menor se outros setores da economia, como o de agronegócios e de produtos intermediários, não fizerem um esforço adicional de exportação para compensar essa alta.
O Departamento de Comércio Exterior ainda não divulgou informações detalhadas sobre as exportações de janeiro e, assim, as projeções ainda são limitadas. Os produtos intermediários (papel e celulose, siderúrgicos e minérios) e os agrícolas poderão se beneficiar pela alta, prevista para 2000, do preço das commodities no mercado internacional.
Neste ano o Brasil deve despender US$ 7 bilhões com a importação de petróleo e seus derivados. Ou seja, 22% a mais do que em 1999, quando este gasto foi de US$ 5,4 bilhões, de acordo com Silveira. A projeção de Silveira foi feita com o preço médio do petróleo tipo brent a US$ 25 neste ano, contra US$ 17,8 em 99. Hoje os contratos para abril eram cotados, em Londres, a US$ 27.
Silveira acredita na queda do preço, apostando que a Opep aumente a oferta no segundo semestre em um milhão de barris/dia e que outros países produtores elevem a produção. Caso isso não ocorra, e há indícios de que isso possa acontecer, as previsões teriam de ser revistas.
Esforço - Até agora, não há informações detalhadas sobre o desempenho das exportações das commodities agrícolas, mas há muita expectativa já que os preços no mercado internacional estão em recuperação e devem atingir médias melhores do que as de 1999, segundo avaliou Silveira.
É o caso, por exemplo, da soja em grão. Neste ano, o preço médio da commoditie deve ser 8% superior ao do ano passado. Assim, a importação de soja somaria US$ 1,75 bilhão em 2000, contra US$ 1,59 bilhão no ano passado. Só não será maior porque a safra foi comprometida pela longa estiagem. O preço médio do farelo de soja também está em alta e deve fechar 22% superior em relação a 99. Assim, o farelo trará ao País uma receita de US$ 1,9 bi.
O setor de carnes, que gerou uma receita de US$ 1,530 bilhão em 99 com exportações, deverá ter uma alta de 20% neste ano, com US$ 1,85 bilhão. E, aqui, todo o mérito é do setor que, após a desvalorização cambial, está conquistando novos mercados, principalmente na ásia.
O café brasileiro poderá engordar um pouco o saldo das exportações, já que, segundo Silveira, a previsão é de que gere uma receita de US$ 2,8 bilhões, contra US$ 2,37 bilhões no ano passado. O preço médio no mercado internacional deve fechar o ano 15% acima do que em 99. O Brasil contribuiu para puxar esse preço, já que o mercado esperava que a safra brasileira deste ano fosse 40% maior do que a anterior, mas será, no máximo, 15% acima.
A prevista alta do preço do açúcar no mercado internacional não deve reforçar o desempenho da balança comercial brasileira. Apesar de uma alta entre 10% a 15% do preço médio da commoditie, a quebra na safra brasileira em 10% deve reduzir pela metade as exportações, segundo Silveira. É exatamente, por isso, que o preço internacional subirá. A receita, que foi de US$ 2 bi em 99, deve cair para US$ 1,5 bilhão em 2000, de acordo com ele.


