Londres, 14 (AE) - O interesse entre as empresas entrangeiras pela segunda rodada de licitações para a concessão de áreas para a exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil é pelo menos duas vezes maior do que o registrado na primeira rodada, realizada no ano passado. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) promove hoje em Londres um road-show para apresentar às empresas interessadas as áreas a serem licitadas e esclarecer dúvidas sobre o processo. Mais de 130 pessoas, representando cerca de 81 empresas, se increveram no evento. No ano passado, a apresentação da primeira rodada de licitacões em Londres reuniu cerca de 40 participantes.
Os diretores da ANP que estão na capital britânica evitam fazer comparações entre as duas rodadas, mas afirmam que as perspectivas são muito positivas. "Estamos otimistas e devemos, pelo menos, igualar o resultado da primeira licitação"
disse à Agência Estado, Ivan Simões Filho, superintendente de Promoção de Licitações da ANP. Na primeira rodada, o total arrecadado com a concessão da exploração de diversas áreas foi de RS 340 milhões. O grupo italiano AGIP foi o principal vencedor da primeira rodada de licitações.
Na avaliação dos diretores da ANP, fatores conjunturais estão sendo importantes no aumento no interesse pela exploração de petróleo no Brasil. "No curto prazo, a alta no preço do petróleo e a preocupação com os baixos estoques é um dado preocupante para o país. Mas isso também estimula as empresas a ampliarem a sua produção e o Brasil é um dos principais alvos. As empresas do setor estão com dinheiro em caixa para investir, o que não acontecia há um ano. Além disso, o potencial petrolífero do Brasil, a recuperação da economia do país e a confiança no processo de licitação contribuem para atrair as empresas", disse Luiz Augusto Nogueira, diretor da ANP.
Interesse - Segundo ele, uma das provas de que o Brasil é hoje o principal foco de interesse das empresas petrolíferas internacionais é a presença de dezoito navios - entre eles os sete maiores do mundo - na costa marítima do país, levantando dados sísmicos. A maioria deles está concentrada nas bacias de Campos e Santos. Somente o grupo PGS (norte-americano e norueguês) tem atualmente quatro embarcações operando em águas brasileiras. "Nosso desafio é o de aproveitar essa maré positiva dentro dos interesses do país." Até o momento, 26 companhias manifestaram interesse em participar da segunda rodada, que deve ocorrer em abril, sendo que 23 já pagaram a taxa de participação na licitação. A ANP já arrecadou mais de US$ 5 milhões com as incrições.
No total, serão oferecidos 23 blocos - 13 localizados no mar e 10 em terra - distribuídos por nove bacias sedimentares brasileiras. Essas áreas representam cerca de 1% do total das áreas de bacia sedimentar do país. Na licitação anterior, as empresa obtiveram concessões para explorar outro 1%. A Petrobrás controla outros 8%. "Ou seja, temos ainda 90% de nossa bacia sedimentar ainda a ser explorada", diz Nogueira. Os blocos que estão mais despertando o interesse das grandes empresas estrangeiras nessa rodada são os cinco localizado na bacia de Santos. "Procuramos nessa segunda rodada atender às expectativas de desenvolver as bacias offshore e ao mesmo tempo oferecer oportunidades para as pequenas e médias empresas do setor", afirma Nogueira.
Segundo a ANP, ainda é muito cedo para se estimar qual o total de investimentos no país gerados pela primeira rodada de licitações pois as empresas vencedoras estão iniciando os seus trabalhos. "Depende de uma série de fatores. A descoberta de novos poços, por exemplo, pode fazer esses investimentos serem enormes.", afirma Simões Filho. A ANP calcula, no entanto, que o processo poderá gerar um faturamento de até R$5 bilhões para as empresas brasileiras envolvidas no fornecimento de equipamentos e serviços às concessionárias.
Antes de Londres, foram realizados road-shows da segunda rodada no Rio de Janeiro, Houston, Tóquio e Calgary. O processo de licitação deverá ser concluído no terceiro trimestre deste ano, com a assinatura dos contratos de concessão entre a ANP e as empresas vencedoras na licitação. Segundo os diretores da ANP
a terceira rodada de licitações deve acontecer no próximo ano.
Refinarias - Uma das metas da ANP no longo prazo é o de estimular a construção de novas refinarias no país e diminuir o controle da Petrobrás no setor. Um estudo recente dos professores Célio Bermann e Osvaldo Stella Martins mostra que o páis precisa de nova refinarias. A situação é mais grave no caso do diesel, pois a capacidade de produção é de 478 mil barris/dia
mas o consumo é de 567 mil barris/dia, 18,6% maior do que a oferta interna. A Petrobrás, que detém praticamente o controle absoluto do refino - cerca de 98% - não planeja construir novas refinarias. "Essa é uma área nevrálgica a ser resolvida", disse Nogueira. "Mas poderemos ter novidades importantes nessa área ao longo do ano As margens de lucro de refino estão se recuperando e a pressão pela construção e renovação das refinarias é crescente." Atualmente, apenas uma nova refinaria privada está prestes a ser construída n o Nordeste, pelo grupo alemão Thyssen. "Mas há também empresas nos sondando para a construção de outras duas refinarias.", diz Nogueira. Os diretores da ANP afirmam também que muitos empresários estrangeiros estão interessados em fazer parcerias com a Petrobrás para a renovação e ampliação das refinarias existentes no País.

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