Campinas, 27 (AE) - Os funcionários da Refinaria de Paulínia (Replan), atrasaram hoje em duas horas a entrada no turno das 7:30, em protesto contra a indefinição nas negociações salariais com a Petrobrás. O ato, que mobilizou cerca de 80% dos 850 trabalhadores da unidade, também chamou a atenção para o aumento do número de acidentes de trabalho nas refinarias, mas não afetou a produção de derivados.
"Estamos em luta e de luto", disse o diretor do Sindicato dos Petroleiros de Campinas e região (Sindipetro), Itamar José Rodrigues Sanches. Hoje fez um mês que cinco operários da Regap, em Betim (MG), morreram numa explosão dentro da refinaria. "Só em 98, ocorreram 32 mortes por acidentes nas unidades da Petrobrás", disse o sindicalista.
A categoria também quer pressionar a empresa a retomar as negociações para o acordo coletivo da categoria, cuja data base ocorre em setembro. "Estamos desde o ano passado sem uma definição", afirmou. Os petroleiros reivindicam reposição de 1,28% para compensar a inflação de 98. "A direção da empresa não admite nenhum tipo de reajuste", diz o sindicalista.
Sanches informou que a categoria é contra a proposta da Petrobrás de aumentar a jornada de trabalho no setor de produção, passando de 160 para 210 horas por mês. A empresa, segundo o sindicalista, também pretende reduzir o número de turmas e as folgas dos operários. "Isso significa que poderá haver demissões", diz.
De acordo com o sindicalista, a Petrobrás quer diminuir de cinco para quatro as turmas que se revezam nos turnos de trabalho. O número de folgas também seria alterado, passando do esquema atual, que estabelece três dias de trabalho por dois de descanso, para quatro dias de trabalho por um de descanso.
Para os operários que trabalham nas plataformas marítimas, segundo Sanches, a Petrobrás quer mudar o esquema de 14 dias de trabalho por 21 de descanso, para 14 por 14. "Não vamos aceitar isso", garantiu. Segundo ele, há outras manifestações previstas para fevereiro na Bahia, São Paulo e Rio de janeiro.

mockup