Petrobrás venderá poços menos rentáveis a funcionários
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domingo, 28 de março de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 29 (AE) - A Petrobrás vai vender a funcionários e ex-funcionários, associados em cooperativas, poços de petróleo em campos com baixa rentabilidade. A proposta foi divulgada hoje pelo ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, durante a posse do novo presidente da empresa, Henri Philippe Reichstul.
Segundo o ministro, as cooperativas deverão ser financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Reichstul, no discurso de posse, disse que a prioridade da empresa é manter os investimentos "de altíssimo retorno financeiro".
"Não é mais o tempo de se fazer investimentos de retorno insuficiente", disse Reichstul. Segundo ele, a fixação da companhia em negócios prioritários levará a desinvestimentos em áreas marginais e de menor rentabilidade, que serão transferidas à iniciativa privada, aumentando a competitividade no setor como preconiza a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O presidente da Petrobrás não deu entrevista, mas o ministro Tourinho confirmou que parte das concessões de áreas de exploração (onde ainda estão sendo iniciadas pesquisas para identificar jazidas) será devolvida para ser licitada à iniciativa privada. O ex-presidente Joel Renoó não compareceu à posse do sucessor.
Apesar da confirmação sobre a venda de ativos, tanto Reischtul quanto Tourinho fizeram questão de destacar, em seus discursos, que o governo não pretende privatizar a Petrobrás e nem a BR Distribuidora, uma de suas principais subsidiárias.
O diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, que participou da cerimônia, informou também que não cederá às pressões das companhias multinacionais para mudar normas, como prazos de exploração e taxas governamentais, nas áreas nas quais a Petrobrás negocia parcerias.
"Não vamos dilapidar o patrimônio da União nem vampirizar os campos de petróleo", disse Zylbersrztajn, citando como exemplo decisões internacionais, como a tomada no Mar do Norte, entre a Escandinávia e a Grã-Bretanha, que adiou investimentos para obter uma rentabilidade maior.


