Petrobras vai instalar caixas-pretas em plataformas
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quinta-feira, 14 de março de 2002
Nicola Pamplona<br>Agência Estado 
Rio - A Petrobras vai instalar uma caixa-preta em cada plataforma de produção de petróleo em atividade no País. A medida faz parte de um processo de mudanças operacionais iniciado após o acidente que provocou o afundamento da plataforma P-36, na Bacia de Campos, no Rio, há exatamente um ano, e provocou a morte de 11 pessoas. O acidente nos trouxe ensinamentos e gerou ações de mudança tanto nos critérios de projeto quanto na operação das plataformas, diz o diretor-gerente de exploração e produção do Sul/Sudeste da estatal, Carlos Tadeu Fraga.
O executivo coordena o comitê diretor do Programa de Excelência Operacional, implementado depois do acidente para identificar falhas e melhorar o processo operacional nas plataformas da empresa. O programa tem um orçamento de US$ 100 milhões e deverá estar totalmente implantado no final deste ano.
A instalação de caixas-pretas nas plataformas evitará a perda de informações em caso de afundamento da unidade, como ocorreu com a P-36, que hoje está a cerca de 1,7 mil metros de profundidade. Conseguimos recuperar algumas informações lá por atitude do chefe da plataforma, que pegou arquivos antes de abandoná-la, contou o executivo. Mas não podemos mais correr risco de perder as informações.
Produção - O acidente da P-36 provocou um prejuízo de US$ 450 milhões com a perda de receita da venda do óleo do campo de Roncador, segundo a empresa informou à época. A unidade tinha capacidade para produzir 180 mil barris por dia, mas estava extraindo 84 mil barris de petróleo por dia na hora das explosões. Só no final do segundo semestre, a estatal começou a complementar a produção com a entrada em operação do campo de Marlim Sul, também em Campos.
A Petrobras está alugando um sistema de produção provisório para o campo, com capacidade de 80 mil barris por dia, que entra em operação em outubro. Ainda este ano, diz Fraga, a empresa vai ao mercado licitar a compra de uma nova plataforma, do mesmo tamanho da P-36, com início de operações previsto para o final de 2004.


