Petróbras vai explorar sozinha megacampo de petróleo da Bacia de Santos
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 22 (AE) - A Petrobrás vai explorar sozinha o megacampo de petróleo descoberto em águas profundas no final da última semana, em um bloco da Bacia de Santos. Pelas primeiras projeções, as reservas podem ser de 600 milhões a 700 milhões de barris. O poço pioneiro, o 1-RJS-539, foi localizado a 1.595 metros de profundidade e fica na área de abrangência do Estado do Rio - a Bacia de Santos engloba o litoral de quatro Estados. Por isso, a Petrobrás irá pagar royalties ao governo fluminense.
O campo pode começar a produzir em um ano e meio ou dois anos, se a estatal adotar o modelo antecipado de desenvolvimento
ou seja, que acelera a produção. Em alguns dias, serão iniciados estudos sísmicos adicionais e novas perfurações - haverá dois ou três poços para delimitar a acumulação de óleo. Em seis meses, a Petrobras terá uma noção mais exata do volume das reservas e dos investimentos necessários. Confirmada a estimativa preliminar, a produção do campo pode ultrapassar 100 mil barris diários.
No final de semana passado, a 25 quilômetros do campo recém-descoberto, a Petrobras começou a perfurar outro poço, o 1-RJS-542, em uma lâmina dágua de 1.490 metros. As perfurações devem demorar mais 45 dias. Já se sabe que o maior campo da Petrobrás em reservas - Roncador, na Bacia de Campos - tem o equivalente a 1,35 bilhão de barris, mas o volume pode chegar a 2,2 bilhões. Toda a Bacia de Campos tem reservas provadas de óleo equivalente (petróleo mais gás) de 6,9 bilhões de barris. Entre as provadas e as possíveis, as reservas podem chegar a 14 bilhões, 82% do total da Petrobrás.
Segundo o diretor de exploração e produção da empresa, José Coutinho Barbosa, "foi a primeira grande descoberta em uma grande bacia, depois de 30 anos de resultados modestos". Nesse tempo todo, a Bacia de Santos recebeu investimentos de US$ 850 milhões: US$ 500 milhões a US$ 550 milhões da Petrobrás e o restante aplicado pelas 12 companhias que assumiram os contratos de risco.
Desde 1971, 100 poços foram perfurados em Santos, mas sempre em águas rasas, com profundidade de até 400 metros. A Pecten/Shell descobriu o campo de gás de Merluza em 1984, com volume de 71 milhões de barris de óleo equivalente, e a Petrobrás, outros quatro campos, com reservas totais de 110 milhões de barris.
"A descoberta em Santos cria a perspectiva para uma nova e importantíssima província petrolífera", declarou Coutinho. Com a certeza da existência de petróleo, diminui o risco para as empresas que têm concessões de exploração em outros blocos da área. "E finalmente encontramos óleo leve", completou o diretor. O óleo da Bacia de Campos é pesado e o País precisa importar óleo leve para ajudar no refino.
A descoberta pode reduzir a dependência externa da Petrobrás, no entanto Coutinho prefere não se antecipar à constatação final do tamanho das reservas. A empresa produz cerca de 1,13 milhão de barris por dia, mas o consumo nacional excede esse volume em 600 mil barris diários. Coutinho afirmou que as reservas para suprir a demanda interna existem, só que há uma limitação para explorar os campos. "Há uma limitação de risco", explicou. "Mesmo com dinheiro, os riscos existem".
Segundo ele, os bancos não financiam a exploração, mas emprestam dinheiro para o desenvolvimento, são comprovadas as reservas. A importação de petróleo é o item que mais pesa na balança comercial.
O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, afirmou ter achado "esquisitas" as notícias publicadas hoje, segundo as quais o governo quer discutir uma solução para reduzir as importações da empresa, reduzindo estoques, e suavizar a pressão sobre a balança. "Não houve comunicado algum da equipe econômica", declarou. Reichstul explicou que é normal a política da companhia de reduzir estoques, por questões de custo.
A Petrobras tem experiência em sete campos gigantes em águas profundas na Bacia de Campos. Em Santos, a estatal explora sete blocos: dois de modo exclusivo, três em parceria, inclusive no bloco licitado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), e outros dois com a formação de parcerias em negociação.


