Rio, 17 (AE) - A Petrobrás continuará disputando áreas licitadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), anunciou hoje o presidente da empresa, Henri Philippe Reichstul, explicando que vai buscar no mercado participação mais competitiva para a companhia. Apesar de ter comprado o direito de concessão em cinco das 12 áreas vendidas no leilão desta semana, a empresa vai desembolsar, segundo Reichstul, US$ 10 milhões pelos bônus de assinatura, hoje equivalentes a R$ 17,5 milhões, pouco mais de 5% do valor arrecadado com todas as 12 áreas vendidas.
"A quebra do monopólio não significa a saída da Petrobrás do mercado, pelo contrário", disse Reichstul. "Não entregamos nada, os blocos foram retirados do controle da companhia pela quebra do monopólio, o que é natural", comentou.
Reichstul afirmou que não é interesse nem da empresa nem do governo manter o monopólio e uma prova disso são as parcerias com as empresas privadas. "Nossa parcela no pagamento do bônus é pequena porque a maior parte dos custos ficou com os demais integrantes dos consórcios", lembrou.
Para David Zylbersztajn, diretor-geral da ANP, a Petrobrás é agora "uma empresa como outra qualquer que queira operar no Brasil". Ele afirmou que não há como impedir a participação da estatal em licitações e nem é esta a intenção do governo. "A Petrobrás disputou sete blocos e ganhou os cinco para os quais fez as melhores propostas, exatamente como qualquer outra", garantiu.
Ainda este mês, segundo o diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, José Coutinho Barbosa, a empresa irá fechar pelo menos dois grandes contratos de parceria na Bacia de Campos. Das associações participarão grandes companhias estrangeiras que não fizeram ofertas ou tiveram participação tímida no leilão da ANP: a francesa Elf, as norteamericanas Exxon e Mobil, e a inglesa Shell.
"É bobagem pensar em monopólio", disse o presidente da Agip do Brasil, Rocco Valentinetti, ontem em almoço da Firjan em homenagem a Reichstul. "O natural neste setor é a atuação conjunta de empresas concorrentes", comentou. "É puro negócio."
álvaro Teixeira, secretário-geral do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), comentou que já era esperada a procura das multinacionais por uma entrada no País por meio de um trabalho conjunto com a estatal.

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