Petrobras se envolve em novo acidente e coloca em risco Porto de Paranaguá
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Carmem Murara<br> De Paranaguá 
A Petrobras se envolveu ontem em mais um acidente que provocou destruição do meio ambiente, colocou em risco a segurança do Porto de Paranaguá e causou a morte do mergulhador Nereu Gouveia, 50 anos. Um navio carregado com 22 milhões de litros de nafta - substância altamente explosiva utilizada em combustíveis e na indústria química - bateu contra uma pedra próxima ao Canal da Galheta. O casco se partiu e o produto começou a vazar. A Petrobras não precisou a quantidade de nafta que contaminou o meio ambiente, mas o volume pode ter chegado a 4,9 milhões de litros.
A Capitania dos Portos e a própria Petrobras não falam ainda sobre as causas do acidente, que ocorreu às 8h55, exatos 50 minutos após o navio ''Norma'' da própria Petrobras ter zarpado do terminal da empresa. O navio, que tem 161 metros de comprimento e foi construído em 1982, seguiria para Tramandaí (RS), onde o produto seria descarregado.
Uma das versões é de que houve erro da praticagem, que é o serviço de pequenos barcos que conduzem um navio dentro do canal. O prático responsável passou o dia junto ao navio para ajudar a controlar a situação. A empresa de praticagem Paranaguá Pilot não quis comentar ontem o ocorrido, mas a Capitania dos Portos informou que abrirá sindicância para apurar a responsabilidade. ''Sem um relatório não dá para falar em negligência'', afirmou ontem o governador Jaime Lerner, que foi até Paranaguá para verificar a extensão do acidente.
O trabalho durante o dia foi para tentar estancar o vazamento, o que teria ocorrido no final da tarde, por volta das 17 horas. Um grupo de 180 pessoas, entre bombeiros, funcionários do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Defesa Civil e Capitania dos Portos, tentava transferir a susbstância do navio encalhado. No momento da operação, por volta das 17h30, o mergulhador Nereu Gouveia passou mal e foi encaminhado à Santa Casa de Paranaguá.
O contato com a nafta foi fatal para Gouveia. Considerado mergulhador experiente em Paranaguá, ele morreu no hospital às 19 horas. Os mergulhadores tentavam avaliar a extensão da abertura no casco e a quantidade de nafta que estava vazando, mas acabaram ficando muito em contato com a substância tóxica.
Além do potencial de contaminação às pessoas que trabalhavam para conter o vazamento e dos danos ambientais, o maior risco era de explosão do navio. Nafta é um produto altamente volátil. Qualquer faísca poderia causar um incêndio, o que colocou em alerta máximo a Petrobras, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.
Um dos pontos positivos foi o dia ensolarado em Paranaguá que ajudou a evaporar a substância, que costuma se dissipar em até 9 horas. ''A nafta é altamente volátil e por isto ela logo desaparece no ar'', afirmou o presidente da Petrobras, Henri Phillipe Reichstul. Ele passou parte da tarde em Paranaguá acompanhando o acidente. Segundo Reichstul, há pelo menos dois anos não havia registro de acidente com nafta pela Petrobras.


