Rio, 22 (AE) - A Petrobrás recebe nesta semana um empréstimo de US$ 215 milhões de um consórcio de bancos, liderados pelo alemão Deutsche Bank, que se associaram à empresa para um projeto de financiamento do campo de Barracuda-Caratinga
na Bacia de Campos, cujo pagamento está vinculado à rentabilidade da exploração. O dinheiro, que vai reforçar as reservas brasileiras, saiu de recursos próprios dos bancos que formam o consórcio.
"O empréstimo-ponte é para passar a fase de incerteza, e daí, entrar para as fontes de financiamento permanentes", explicou o diretor-gerente do Deutsche Bank no Brasil, na área de projetos de financiamento, Marcílio Andrade. "É dinheiro novo, não tem nada a ver com pendências", informou. Ele informou que o empréstimo vai custear as necessidades de desenvolvimento da prospecção dos dois campos durante o primeiro trimestre.
A quantia total do empréstimo é de US$ 300 milhões. Andrade informou que outros US$ 85 milhões devem ser emprestados para a Petrobrás, ainda neste semestre. O consórcio é formado também pelo banco francês Paribas, Hypovereins Bank e West LB, alemães, que desembolsaram, cada um, US$ 50 milhões, e o Banco de Investimentos Japonês (IBJ) e o próprio Deustche, que emprestarão US$ 75 milhões cada um.
Taxas - O diretor do Deustche informou que as taxas de juros para o pagamento do empréstimo vão variar entre 2% e 3,25% sobre a Libor, a taxa de juros européia. De acordo com ele, as taxas já haviam sido acertadas no ano passado, antes da crise russa, e as dificuldades econômicas brasileiras não mudaram as condições de pagamento. O empréstimo, pelo contrato, começa a ser pago um ano depois de sua liberação, mas a quitação pode ser adiantada 90 dias após a companhia petrolífera receber o dinheiro.
A crise econômica brasileira no segundo semestre provocou a saída de uma corretora internacional conhecida, cujo nome não foi citado por Marques, do consórcio. Assim, o Deutsche Bank procurou novos parceiros e conseguiu atrair o West LB e o Hypovereins, além de aumentar a participação do Paribas. O argumento usado, segundo ele, foi a rentabilidade do próprio projeto.
Andrade afirmou que o dinheiro está entrando no País em parcelas, até quinta-feira. "A gente evitou mandar tudo em um dia só, para não causar solavanco muito grande na cotação da moeda", explicou o diretor do Deutsche. Ele afirmou que, em dois meses, pretende apresentar à Petrobrás alternativas para o financiamento permanente do projeto nos dois campos de petróleo. "Acreditamos que em um ano as condições para o financiamento permanente vão estar mais favoráveis", previu.
Bônus - As alternativas vão incluir a captação junto a um sindicato de bancos que financia explorações no mercado mundial, recursos próprios da Petrobrás, de organismos governamentais de países estrangeiros, como bancos de incentivo a exportações, e do lançamento de bônus. Esta última maneira, no entanto, vai ter de ser feita a longo prazo, porque o mercado de captação por bônus para o Brasil é "praticamente inexistente", lembrou Andrade. "O mundo todo sofre uma crise de excesso de produção, de oferta, e, mais uma vez, estamos na tendência oposta", lamentou.

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