Brasília, 28 (AE) - O governo federal não pretende vender para outras companhias de petróleo as ações que excedem ao controle estatal sobre a Petrobras. Segundo adiantou hoje o presidente da estatal, Henri Phillipe Reichstul, a nova estratégia do governo é pulverizar em bolsa de valores para pequenos e micro investidores os 34% de ações ordinárias. "Podemos fazer uma ampla campanha de esclarecimento para que todo o brasileiro passe a ser acionista da Petrobras", disse Reichstul.
"Cada um poderá comprar seu barril de petróleo." A mesma filosofia de pulverização das ações está sendo estudada para outras privatizações, principalmente a das empresas federais de geração de energia elétrica. Com isto o governo quer envolver mais a sociedade no processo de privatização e fortalecer o mercado de capitais no País.
Reichstul informou que teve hoje uma conversa sobre uma possível campanha de divulgação com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi. "O governo já tomou a decisão de não aceitar na venda destas ações um parceiro estratégico", disse o presidente da Petrobras.
O novo modelo de venda das ações, segundo Reichstul beneficia as metas da empresa, que quer formar várias parcerias nos próximos anos. Vender um terço das ações ordinárias para uma grande empresa poderia inviabilizar este programa, pois ela teria direito a veto das decisões do sócio majoritário, o governo. "Isto tiraria a liberdade da empresa de fazer as parcerias com várias companhias", afirmou.
Até o momento, a Petrobras já fechou 21 parcerias com empresas privadas e o objetivo é conquistar outras nos próximos anos. "Como empresa estatal não vejo a Petrobras fazendo fusões
mas fechando parcerias tanto com grandes empresas do mundo como com as companhias regionais da América Latina", afirmou Reichstul.
A empresa pretende aumentar sua capacidade de produção de petróleo dos atuais 1,132 milhão de barris/dia para 2 milhões de barris/dia em 2005, dos quais 1,850 milhão seriam explorados no Brasil e o restante em outros países. A estatal ainda quer aumentar seu faturamento de US$ 25 bilhões ao ano para US$ 35 bilhões em 2005.
A decisão do governo de vender estas ações da Petrobras foi tomada em agosto de 1997, depois da sanção da lei que abre o setor do petróleo à iniciativa privada. Pela lei, a União deve possuir apenas 50% mais uma ação da empresa. Os consultores para fazer a modelagem de venda destas ações já foram contratados pelo BNDES no ano passado.
Especulava-se que elas poderiam ser distribuídas em lotes máximos de 10% ou até a venda em bloco do capital à disposição. Em ambos os casos o comprador teria um poder inédito na administração da empresa, tendo acesso a dados estratégicos até então restritos à direção da empresa. A lei determina que já tem direito a indicação de conselheiros da empresa quem detém mais de 10% das ações ordinárias.
A pulverização também era uma opção. Em setembro de 1997
o então ministro do Planejamento Antônio Kandir chegou anunciar a intenção de vender parte das ações usando os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

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