Rio, 24 (AE) - A Petrobras colocou hoje mais 500 metros de barreiras flutuantes - para a contenção e absorção do óleo na Baía de Guanabara - perto dos pilares da Ponte Rio-Niterói, onde existe uma camada muito fina de óleo. O objetivo é impedir que a mancha atinja as praias de Botafogo e Flamengo, ambas na zona sul do Rio. De acordo com a Petrobras, foram retiradas 420 toneladas de óleo da baía. No dia 18 vazaram 1,3 milhão de litros de um duto da Refinaria Duque de Caxia (Reduc).
Até quarta-feira, a empresa deverá pôr mais bóias ao longo dos 13 quilômetros da ponte, deixando aberto apenas o vão central para a circulação de navios e barcos na Baía, o que já foi acertado com a Marinha. As barreiras flutuantes também serão colocadas na Praia do Anil, em Mauá. As bóias estão chegando à empresa conforme são despachadas pela Receita Federal, no Aeroporto Internacional Galeão/Tom Jobim. Elas foram importadas da Inglaterra, Canadá e Estados Unidos.
O vazamento atingiu os manguezais e praias do distrito de Mauá, no município de Magé, as Ilhas de Paquetá e do Governador. O derramamento destruiu fauna e flora nessas regiões
além de deixar centenas de pescadores sem trabalho.
Demora - A empresa começou a comprar os 26 mil metros de bóias que se juntaram aos 6 mil metros já disponíveis somente três dias depois do vazamento e ao constatar que o desastre ambiental requeria técnicas modernas, que a empresa não dispunha. A tecnologia importada consiste em isolar o óleo junto às praias atingidas, formando uma barreira que conterá o material, a ser sugado por dragas. A operação está sendo vistoriada por quatro técnicos ingleses, entre eles Karen Purnell, especialista em derramamento de óleo. As barreiras estão sendo colocadas por 46 embarcações.
Feema - Para o presidente da Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema), Alex Grael, a barrreiras flutuantes são apenas preventivas. "O nosso maior aliado tem sido São Pedro, que nos ajuda fazendo com que óleo fique concentrado nos pontos mais afetados", disse Grael. A chance de a mancha chegar às praias da zona sul e de Niterói é muito pequena, disse, porque os ventos estão empurrando o óleo para dentro da baía. "A nossa grande preocupação é fazer com que esse óleo não contamine novas áreas", disse.
O secretário Estadual de Meio Ambiente, André Correa, reclamou da demora da Petrobras em dar resposta ao problema do vazamento. "Hoje, saímos da situação de pânico do ponto de vista de recuperação", disse Corrêa. Ele voltou a criticar a lentidão da empresa em tomar providências para conter o óleo. "Chegamos ao terceiro, quarto dia sem sequer ter a quantidade ínfima de barreiras para conter o crescimento da mancha de óleo". O secretário acrescentou que o vazamento deve servir para transformar a visão dos problemas ambientais no Estado "O importante é que a gente possa tirar uma lição desse episódio e transformá-lo numa experiência que possa servir como uma virada na questão ambiental no Estado", destacou.

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