Rio, 18 (AE) - A Petrobras, que ainda não conseguiu entrar no mercado de distribuição de gás de São Paulo, está tentando participar da disputa pela área 3 (Região Sul) mesmo não estando pré-qualificada para o leilão, marcado para o próximo dia 26. A estatal estaria negociando com as empresas portuguesas que participam do consórcio Gás Internacional a entrada no grupo.
A Comissão Geral de Serviços Públicos de Energia de São Paulo, agência reguladora do setor, adverte, porém, que, nenhuma outra empresa, além das que integram os quatro consórcios pré-qualificados, pode entrar na disputa. "Empresas que fizerem negociações paralelas estão correndo o risco de não terem o acordo aprovado", afirma Zevi Kann, comissário-geral do órgão.
O consórcio no qual a Petrobras estaria negociando o ingresso é formado, além da italiana Italgás (24%) - do grupo Eni, que arrematou em novembro do ano passado a área 2 - pelas portuguesas Transgas (operadora), com 20%; Eletricidade de Portugal (EDP), 27%; Gás de Portugal (GDP), 28% e Gás Internacional (GI), 1%.
Também estão na disputa o consórcio Sul Paulista Gás, das francesas Total (49%) e Elf (51%); a espanhola Gás Natural de Espanha; e o grupo norte-americano Enron (80%) e Northern (20%). O preço mínimo da concessão é de R$ 95 milhões, com compromisso de investimento de mais R$ 100 milhões em dez anos. Com a venda, o governo de São Paulo encerra o programa de privatização de distribuição de gás e espera repetir o sucesso dos leilões anteriores. A Comgás foi vendida em abril do ano passado com ágio de 119% para a British Gas e a Shell, e a Noroeste (área 2), com ágio de 249% para o consórcio Gás Brasiliano.
A Petrobras entraria no primeiro leilão por meio da subsidiária BR. Na época, o presidente da empresa, Henri Philippe Reichstul, que havia assumido o cargo há menos de um mês, desautorizou a inscrição, que estava sendo feita sem o seu conhecimento. A empresa entrou na disputa pela área 2, mas perdeu. Agora, tenta disputar a área 3, mesmo não tendo participado da pré-qualificação. A intenção, segundo fontes da empresa, é mais tarde tentar realizar uma troca de participação com outras distribuidoras que atuam em São Paulo.
A americana Enron, que entrou no País em 1992 e já participa de concessionárias de gás em sete Estados brasileiros, é apontada por analistas de mercado como uma das mais fortes concorrentes do leilão. A empresa tentou, sozinha, ingressar na distribuição paulista, sem sucesso. Agora associou-se à Northern
outro peso-pesado americano. O presidente da Enron no Brasil, James Banantine, no entanto, faz segredo sobre a entrada ou não no leilão. "Só decidiremos isso no último momento", afirma.
Marcelo Agostini, da Snam, subsidiária do Grupo Eni, ao qual também pertence a Agip do Brasil, diz que desconhece as negociações da Petrobras com as empresas portuguesas. "A Petrobras, com toda a certeza, não está no consórcio", afirma. A estatal, que participa da distribuição de gás em 12 Estados, estaria, segundo fontes, estudando participação em torno de 15%. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1

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