Petrobrás pode criar empresa para administrar telecomunicações
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Mônica Ciarelli e Gustavo Alves 
Rio, 21 (AE) - A Petrobrás confirmou hoje que estuda a criação de uma empresa para gerir suas companhias de telecomunicações. A diretoria da estatal preferiu não detalhar o projeto, que ainda está em fase embrionária. Mas a nova empresa já vem sendo chamada de Petronet. Segundo a assessoria de imprensa da Petrobras, a nova companhia será controlada pela Gaspetro, subsidiária da estatal brasileira.
O sistema da Gaspetro permite a transmissão de dados por meio de sua rede de fibras óticas instaladas ao longo dos seus gasodutos. A expectativa é de que a rede montada tenha capacidade para abastecer a Petrobras e a Gaspreto, permitindo também uma sobra no sistema de transmissão de dados que poderá ser comercializada pela nova companhia.
A Gaspetro já tem 800 quilômetros de cabos de fibra ótica, que passam pelas cidades de Macaé, Rio de Janeiro, Volta Redonda, São Paulo, Santos, Campinas e Belo Horizonte. A capacidade de transmissão de dados, hoje de 2,5 megabites por segundo, pode chegar a 40 megabites. A subsidiária planeja uma expansão para os próximos meses. A rede deve chegar a Fortaleza, Buenos Aires e Santiago do Chile, totalizando cerca de 10 mil quilômetros.
A informação foi dada pela empresa durante uma reunião na semana passada com representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Os petroleiros solicitaram à Petrobrás uma exposição dos planos estratégicos da estatal para, posteriormente, discutir a política de reajustes salariais.
Pesquisas - A Petrobrás já patrocina pesquisas sobre tecnologia da comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Entre os trabalhos apoiados pela estatal estão estudos de medição e caracterização de fibras ópticas, qualificação de cabos ópticos e comunicação em cabos submarinos. Os detalhes destas pesquisas não podem ser divulgados pelos responsáveis pelo trabalho devido a uma cláusula de sigilo do contrato de patrocínio da companhia.
O coordenador do Grupo de Sistemas àpticos da PUC-RJ, Marbey Mosso, afirmou que em conversas sobre investimentos em tecnologia com dirigentes da Petrobrás percebeu interesse da empresa neste setor. "A gente sente que eles querem, mas ainda estão muito fechados, não revelam a estratégia", afirmou Mosso. Ele explicou que os investimentos da estatal neste setor seriam facilitados porque o maior custo - a instalação de uma rede física de transmissão - pode ser eliminado, já que a Petrobrás pode aproveitar sua rede de dutos.


