Petrobrás patrocina ações de valorização da água
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quarta-feira, 29 de outubro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Patrocinar projetos que valorizem o uso racional da água, combatendo seu desperdício, focalizando a recuperação e o reuso. O ''Programa Petrobrás Ambiental'', lançado anteontem no Rio de Janeiro (RJ), em comemoração aos 50 anos de fundação da empresa, destinará R$ 40 milhões para o patrocínio de ações nos próximos dois anos. A iniciativa tem como tema ''Água - Corpos de água doce e mar, incluindo sua biodiversidade''.
Poderão ser inscritos no programa projetos de pequeno, médio e grande porte, que tenham valor de patrocínio de até R$ 3 milhões, com prazos para desenvolvimento de até 24 meses. O financiamento será de, no máximo, R$ 1,5 milhão por ano por projeto. As inscrições serão recebidas apenas via Internet.
O apoio financeiro abrangerá projetos novos, em desenvolvimento ou em fase de planejamento, que proponham a recuperação de rios e da mata ciliar, preservação da biodiversidade, entre outras ações. Os projetos devem ser planejados para serem auto-sustentáveis e precisam contemplar iniciativas que incluam a educação ambiental.
A Petrobrás já patrocina inúmeros projetos de proteção ambiental, mas o enfoque principal até então era a preservação de espécies ameaçadas de extinção, como a tartaruga marinha, o peixe-boi, a baleia jubarte e a baleia franca. O direcionamento para a proteção da água e sua biodiversidade é novo, até mesmo dentro da empresa, como admitiu a coordenadora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), Thaís Murce.
''A gestão ambiental da Petrobrás amadureceu muito nesses últimos anos, com o grande salto dado em termos de posicionamento tecnológico em relação ao mundo, tanto em tecnologias para controle, remediação, prontidão e emergência. Tudo isso recebeu investimento maciço. Isso trouxe uma maturidade maior com relação à questão ambiental que antes, por vezes, não era levada com tanta profundidade'', avaliou a pesquisadora.
De acordo com Thaís Murce, as novas tecnologias desenvolvidas no Cenpes têm a preocupação de buscar o uso ''ecoeficiente'' dos recursos, desde a prospecção em águas profundas com a reinjeção da água no subsolo marinho até a melhoria da gestão ambiental na ponta da cadeia, ou seja, nos postos de combustíveis. ''A tendência atual é tentarmos fechar todos os ciclos com zero de emissão, zero de efluentes, etc. Mas tudo isso é utópico ainda. Temos que buscar a eficiência energética, consumir menos recursos naturais, principalmente os não renováveis, e não emitir absolutamente nada de nocivo para o meio ambiente'', completou.
No planeta, apenas 1% da água doce está disponível para consumo, sendo que mais da metade está localizada no subsolo. Deste total, 12% está situada no Brasil. Porém, 69% de toda essa riqueza se concentra na região Norte, habitada por cerca de 8% da população. Na região Sudeste, onde vivem 43% dos brasileiros, as reservas de água superficial representam apenas 6% do total.
Segundo avaliação feita por organismos internacionais, se a degradação do recurso continuar no ritmo atual, 66% da população mundial viverá um ''estresse hídrico'' em 2025, o que equivale dizer que terão de lidar com a falta crônica de água.
Os principais consumidores de água no mundo são a agricultura (68,3%), a indústria (23,1%) e as residências (8,6%). Nas casas, o desperdício ocorre na realização de tarefas simples. Escovar os dentes com a torneira aberta, por exemplo, gera um consumo de 24 litros por dia, mesma quantia de água que bebemos durante 12 dias.


