Rio, 05 (AE) - A Petrobras manteve a proposta de reajuste salarial de 3,9% aos petroleiros. Dirigentes da empresa se reuniram hoje, no Rio, com representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) para discutir a questão salarial. "A Petrobras bateu o pé desde o começo", afirmou o diretor de imprensa e comunicação da FUP, João Antônio de Moraes.
O sindicato terá agora de submeter a posição da Petrobras aos trabalhadores e já sinaliza com mobilizações contra a estatal. Hoje os petroleiros fizeram paralisações de uma a duas horas nas refinarias da Petrobras, como Cubatão, São José dos Campos, Campinas e Duque de Caxias - sem comprometimento da produção. Na Refinaria Getúlio Vargas, no Paraná, não houve assembléia na porta, mas os petroleiros fizeram panfletagem.
No último dia 28 de setembro, a Petrobras já havia respondido à reivindicação dos petroleiros com uma contraproposta de aumento de 3,9% nos salários, mais um abono de um salário base (sem benefícios). A FUP pedia reposição da inflação entre setembro de 1998 e agosto deste ano, com base no IVC-Dieese (5,79%), reposição das perdas do início do Plano Real até 1998 (37,25%) e aumento real por produtividade (24%).
Além disso, o sindicato quer o fim das demissões arbitrárias, políticas ou em massa, reintegração dos funcionários demitidos após a greve de 1995 e paridade com a Petrobras na gestão do fundo de pensão, a Petros. A FUP informou que os trabalhadores em plataformas também refutaram a proposta de redução do número de dias de folga, de 21 para 14 dias. Esses trabalhadores, que ficam nas plataformas durante 14 dias, receberiam uma indenização pelo aumento de jornada.
Participaram da reunião de hoje o superintendente de recursos humanos da Petrobras, José Lima de Andrade Neto, 14 outros representantes da empresa e 12 diretores da FUP. Faltam cinco rodadas de negociações para encerrar, na sexta-feira da semana que vem, as negociações coletivas da categoria. Na quinta-feira a FUP e a Petrobras discutirão as cláusulas relativas a planos de saúde e fundo de pensão.
Qualquer que seja o percentual acertado nas negociações, o sindicato já prevê que a Petrobras acenará com um percentual maior para gerentes e diretores. Segundo a federação, no ano passado os petroleiros não tiveram aumento em setembro, a data-base da categoria, mas os funcionários que ocupam tais cargos executivos tiveram reajustes significativos em maio.

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