Petrobrás inverte política e deve sair da distribuição de gás
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 12 (AE) - A Petrobrás deverá vender participações acionárias em empresas distribuidoras de gás e adotar uma política para o setor diametralmente oposta à da diretoria anterior. Além de não participar do leilão da Comgás, marcado para quarta-feira, a companhia deverá "enxugar" sua presença no mercado, que atualmente se estende por todo o território nacional, à exceção de São Paulo.
O presidente anterior, Joel Rennó, tinha como prioridade a entrada no mercado paulista, para firmar a posição da Petrobrás como a maior operadora do setor. A participação agressiva, porém, transformou a empresa em quase monopolista e está dificultando a entrada de novos concorrentes, que o governo pretende incentivar. A administração de Henri Philippe Reichstul na presidência da companhia vai seguir a orientação do governo.
Amanhã (13), Reichstul reúnse-se no Rio com o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e com o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, para acertar as novas diretrizes para a estatal. Hoje o superintendente da Distribuidora de Tículos e Valores Mobiliários do Banco do Brasil (BB-DTVM), Evandro Lopes, informou que há mais de seis meses vinha assessorando a direção da Petrobrás para a participação na disputa pela Comgás.
Segundo Lopes, a participação da BB-DTVM foi apenas a de consultoria. Ele informou, também, que nada houve de irregular na composição da Sociedade de Propósito Específico Ibidem para participar do leilão. A SPE já estava juridicamente pronta há meses e abrigraria a BR-Distribuidora - a principal subsidiária da Petrobrás - no leilão, junto com o Fundo Petrobrás de Seguridade Social (Petros). "É um procedimento comum, usado para agilizar a participação nas privatizações", disse Lopes.
Reichstul, que não sabia da inscrição da Petrobrás na disputa, desautorizou a participação da holding ou de qualquer de suas subsidiárias.
Na reunião de amanhã, além de discutir a questão do gás, será debatida a necessidade ou não de devolução de áreas pedidas pela diretoria anterior para exploração de jazidas de petróleo. Foram 115 blocos ainda em fase de pesquisa, que permaneceram com a Petrobrás, que tem prazo de três anos para começar a produzir comercialmente nestas áreas.


