Petrobrás estuda parceria em refinaria privada no NE
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quinta-feira, 15 de julho de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 16 (AE) - A primeira refinaria construída pela iniciativa privada no País nos últimos 45 anos vai receber o reforço do capital estatal. A Refinaria do Nordeste (Renor), investimento de US$ 1,2 bilhão do grupo alemão Thyssen Krupp no Ceará, deve receber como sócia a Petrobrás, proprietária de 11 das 13 refinarias existentes no País.
"A negociação da parceria está em estágio bastante avançado, mas falta definir o equity (quantidade de ações) da Petrobrás", informa o presidente da Renor, Lindolpho de Souza.
O presidente da estatal, Henri Philippe Reichstul, prefere ser um pouco mais cauteloso. "Estamos analisando seriamente a proposta", comentou. "O mercado consumidor continua crescendo, apesar da recessão, e nestas circunstâncias pode ser que valha a pena."
A direção da Thyssen começou a divulgar seu interesse em construir uma refinaria no Brasil em agosto do ano passado. A intenção da empresa é a de atender basicamente aos mercados do Norte e do Nordeste.
Terceiro maior produtor de aço do mundo, o grupo atua também no setor de óleo e gás. É acionista majoritário do projeto, com participação de 85% e tem como parceira a empresa nacional Interoil, uma espécie de representante no Brasil de empresas de perfuração estrangeiras.
Nos últimos dois meses, o presidente mundial da Thyssen, Hans Ulrich Gruber, esteve duas vezes no Brasil, para reuniões com o presidente da Petrobrás. O governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), pessoalmente empenhado no projeto, tem feito viagens constantes ao Rio, alternando o itinerário entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) em busca de financiamento e aprovação para o projeto.
Segundo o subsecretário de Infra-Estrutura do Ceará, Antonio João Távora, o governo cearense ofereceu à indústria alemã, além de todo o investimento em infra-estrutura, o terreno onde será instalada a refinaria, no município de São Gonçalo do Amarante, a cerca de 50 quilômetros de Fortaleza, além de um terminal no Porto de Pecém, cujo complexo a Renor integrará. Da Sudene o empreendimento recebeu, no mês passado, uma carta de enquadramento de R$ 255 milhões.
Segundo Souza, os investidores estão buscando financiamento de 45% do projeto junto ao BNDES. Dentro de 90 dias, ele acredita que tanto o crédito quanto a parceria com a Petrobrás devem estar definidos. "O negócio estará fechado até o fim do ano e as obras iniciadas nos primeiros meses de 2000", diz Souza. Segundo ele, o projeto está dentro do cronograma, que prevê o processamento de 110 mil barris diários de óleo até 2003 e 200 mil barris até 2008.
A Petrobrás foi procurada para a parceria desde o início do projeto, mas a estatal, então presidida por Joel Mendes Rennó
ex-funcionário da Interoil, alegava o excesso de refinarias com capacidade ociosa no mundo para não entrar no projeto. "A Thyssen não entraria no negócio se não houvesse garantia de lucro", diz Reichstul.


