Rio, 12 (AE) - A Petrobrás deve concluir até meados do ano que vem estudo para a construção de um novo gasoduto de dimensões semelhantes aquele que liga o Brasil à Bolívia, informou à Agência Estado o presidente da companhia Henri Philippe Reichstul. O projeto está sendo desenvolvido pelo Departamento de Engenharia da empresa há cerca de quatro meses e a previsão é que o gasoduto entre em operação em 2005, quando já haverá dificuldade de oferta do produto, segundo a empresa.
"Estamos estudando várias alternativas, desde a localização (se vamos fazer paralelo ao Brasil-Bolívia) até a tecnologia a ser empregada." Entre as possibilidades está a utilização de tecnologia canadense para ampliar a capacidade do Gasbol de 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia, por meio de um processo chamado de "looping". De acordo com Reichstul, existem atualmente no País usinas termoelétricas a gás que produzem 60 mil megawatts de energia. A expansão prevista é de 40% na produção com a entrada de mais 24 mil megawatts. Não será possível atender a este mercado apenas com o gás trazido hoje da Bolívia e da Argentina ou produzido na Bacia de Campos. "Não somos um País que produz muito gás".
Em setembro, um consórcio com participação da Petrobrás (35%) descobriu duas grandes reservas de gás no sul da Bolívia, nos blocos de San Alberto e San Antonio. "Descobrimos um lugar que é um inferno, no cocoruto de uma montanha", brincou, dizendo que somente a perfuração do poço custou US$ 30 milhões. "É no meio da selva, no sul da Bolívia; tivemos de fazer uma estrada para chegar lá".
A Petrobrás espera estar produzindo 60 mil metros cúbicos de gás diariamente, em 2005. Hoje a produção é de 33 mil metros cúbicos por dia, dos quais 5 mil são queimados, 14 mil são usados nas refinarias e nas plataformas e outros 14 são vendidos. As plataformas da Petrobrás têm centrais elétricas, compressores e outros equipamentos que funcionam a gás. São verdadeiras mini-cidades, com milhares de habitantes.
A Petrobrás está planejando também construir um terminal regaisificação de gás liquefeito. O investimento, de cerca de US$ 200 milhões, está sendo negociado com empresas privadas, que Reichstul não quis cita. O terminal está sendo projetado para o porto de Suape, em Pernambuco, e fará a regaisificação diária de 3 milhões de metros cúbicos do produto congelado trazido de Trinidad e Tobago, Venezuela e Nigéria. Petróleo - A Petrobrás estará produzindo mais 170 mil barris de petróleo por dia no ano que vem - a produção diária atual é de 1 13 milhão. Desse excedente, 70 mil barris serão usados para suprir o aumento da demanda por combustíveis, que cresce a um nível de 4% ao ano. Os 100 mil restantes servirão para reduzir as importações.
O Brasil compra no exterior cerca de 100 mil barris de óleo cru por dia e 300 mil barris de derivados. A liberação das importações de derivados para empresas privadas - que deveria ocorrer em agosto do ano que vem, mas que será adiada para janeiro de 2001 pelo governo - ao contrário de prejudicar, deve beneficiar a Petrobrás, única empresa autorizada atualmente a comprar os produtos no mercado externo.

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