Petrobrás estuda barganha de ativos para entrar na Comgás
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Irany Tereza ATENÇÃO EDITOR: Matéria coordenada com a série COMGáS. 
Rio, 13 (AE) - A Petrobrás vai negociar troca de ativos com os vencedores da privatização da Comgás, que será leiloada amanhã (14). O presidente da estatal, Henri Philippe Reichstul, declarou hoje que todo o planejamento estratégico da empresa está sendo reavaliado, por isso determinou a retirada da Petrobrás e de sua subsidiária BR-Distribuidora da disputa.
A estatal vai oferecer participação em distribuidoras de outros estados e até em campos de produção de gás, em troca de participação na companhia paulista. "Vamos promover um balanceamento mais correto na produção, transporte e distribuição de gás", disse Reichstul, depois de um dia inteiro de reunião com o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho
e com o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn.
Segundo ele, a "revisão estratégica" vai abranger não só o setor de gás, mas toda a atuação da Petrobrás no mercado de energia. "Não permitir que a companhia entrasse no leilão da Comgás não impede que sejam feitos acordos com os controladores", afirmou.
O mesmo tipo de permuta poderá ser adotado em outros negócios da empresa, como refino e produção de petróleo. A Petrobrás participa hoje da distribuição de gás em quase todo o País, mas está fora dos maiores mercados consumidores: Comgás (SP), Minasgás (MG) e CEG (RJ). No Rio, tem participação minoritária na Riogás, a segunda distribuidora do estado.
A decisão anunciada por Reichstul marca o novo modelo de administração da estatal, de se firmar no negócio prioritário de exploração e produção de petróleo, "enxugando" a atuação em outros setores, para estimular a competição.
Demissão - Hoje, o diretor financeiro da Petrobrás, Orlando Galvão, que acumulava a presidência da BR-Distribuidora, pediu demissão, alegando motivos pessoais. A carta foi enviada ontem (12) ao ministro Tourinho, mas só hoje Reichstul disse ter tomado conhecimento do desligamento, apesar de saber que Galvão "estava demissionário".
O diretor fora braço-direito do ex-presidente da Petrobrás Joel Rennó, que afastou-se no início de março, depois de seis anos à frente da estatal. A política desenvolvida por Rennó era a de manter a atuação da empresa como monopolista, apesar da abertura do mercado.
A pré-qualificação da estatal no leilão da Comgás, sem o conhecimento do ministro nem do presidente da Petrobrás, teria sido a gota dágua para o afastamento de Galvão, embora Reichstul tenha feito questão de afirmar que "a demissão nada teve a ver com isso". Galvão ocupava a diretoria Financeira da estatal, conhecida no mercado como "caixa-preta", desde 1993.
Gasolina - O ministro Tourinho reafirmou hoje que o governo prepara um novo aumento de combustível para compensar a defasagem causada pela mudança do regime cambial. Apesar de o mercado de distribuição e revenda estimar em 11,5% o porcentual de aumento, o ministro disse que ainda não há definição de índice nem da data para a entrada em vigor do reajuste.
áreas - Tourinho afirmou também que algumas das 115 áreas de exploração mantidas pelas Petrobrás podem ser devolvidas à ANP para licitação, mas disse que a decisão será tomada para facilitar as parcerias com a iniciativa privada, com maior flexibilidade de prazos para exploração, por exemplo. "Nunca se afirmou que a Petrobrás não tinha recursos ou condições técnicas de manter estes blocos", afirmou.


