Petrobrás e Repsol-YPF farão troca de ativos
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 02 (AE) - Nos próximos dois meses, a Petrobrás e a Repsol-YPF realizarão uma troca de ativos no Brasil e na Argentina. Cada empresa passaria à outra ao redor de US$ 800 milhões em ativos. Atualmente, a Petrobrás possui na Argentina ativos de US$ 40 milhões. O anúncio foi feito em Buenos Aires por Carlos Alberto Da Costa, vice-presidente da Petrobrás Argentina S.A. Da Costa declarou à imprensa que a Repsol-YPF ofereceu à Petrobrás refinarias, postos de gasolina e logística.
Entre os postos de gasolina, poderiam ser vendidos à empresa brasileira os postos da EG3, controlada pela Repsol mesmo antes de sua aquisição da YPF. Segundo Da Costa, estes postos poderiam chegar a mudar seu nome para "BR". No entanto, afirmou que dependerá de uma análise de mercado. Esses postos permitiriam uma ampla venda de lubrificantes, cuja participação no mercado argentino ainda está em seu início, já que possui somente 1% do total. O executivo da empresa brasileira também afirmou que a Petrobrás pretende obter "uma ou duas refinarias" na Argentina.
"Na sexta ou na segunda-feira teremos reuniões onde cada lado apresentará uma lista de ativos a serem oferecidos", disse Da Costa, que afirmou que "a estratégia da Repsol é clara: eles consideram o mercado brasileiro como uma prioridade". Segundo o vice-presidente da Petrobrás Argentina, a empresa brasileira pretende conseguir 10% do mercado argentino de distribuição de petróleo.
A troca deve-se à obrigação da Repsol-YPF desvencilhar-se de parte de sua estrutura no país para não ser acusada de monopolista. A compra da YPF, feita há poucos meses pela espanhola Repsol, faria com que a empresa dominasse amplamente diversos setores do mercado energético local. Isso causou que o Congresso definisse uma lei anti-monopólios, da qual a empresa foi a primeira atingida.
No entanto, além de impedir um monopólio, a lei também proporcionou à Petrobrás uma oportunidade inesperada de investir na Argentina. Por seu lado, a Repsol viu nesta ocasião sua primeira chance para grande entrada no Brasil.
Sobre a possibilidade de uma aliança Petrobrás-Repsol, Da Costa disse que "buscamos associações estratégicas. Mas não estaremos juntos em todos os negócios, já que em alguns casos nossos interesses se chocariam".
A Argentina é atualmente o terceiro maior fornecedor de petróleo para o Brasil. Nos últimos quatro anos, o Brasil importou US$ 11,2 bilhões em petróleo, sendo 27% de origem argentino. No momento, em dois setores do país, a Petrobrás extrai 8,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Além disso, junto com a YPF e a Dow Chemical, começou em 1997 o projeto Mega
que consiste no tratamento de 36 milhões de gás natural por dia. A partir do último trimestre do ano 200, esse gás será transformado na cidade de Bahia Blanca em GLP, gasolina e metano.


