Petrobras e Repsol-YPF assinam acordo para troca de ativos
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de março de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 27 (AE) - A Petrobras e a Repsol-YPF assinaram hoje
em Madri, acordo para troca de ativos entre as duas empresas no Brasil e na Argentina.
As duas empresas garantem que ainda não há definição sobre o que irá representar esta associação, em valores. No fim do ano passado, chegou-se a divulgar que o acordo envolveria ativos avaliados em cerca de US$ 800 milhões em cada uma das companhias, mas agora a informação da direção da Repsol-YPF, no Brasil, é de que as somas serão especificadas nos próximos três meses.
O acordo tem como objetivo garantir a permanência da espanhola Repsol na Argentina. Depois da compra da Yacimientos Petroliferos Fiscales (YPF), no ano passado, a empresa passou a deter um controle no mercado argentino que está sendo alvo de acusações de monopólio. Em refino e distribuição de combustíveis
a empresa está presente em cerca de 80% dos negócios. A associação com a estatal brasileira vai permitir à Petrobras ampliar para cerca de 10% sua participação na distribuição de combustíveis na Argentina.
O aumento de participação da empresa no principal parceiro do Brasil no Mercosul já havia sido tentado por meio de um acordo com a YPF antes da compra das ações da companhias pela Repsol. O resultado do acordo de investimento conjunto em revenda de combustíveis, porém, não passou da criação de apenas um posto da Petrobras em Buenos Aires e outro da YPF no Rio. Na época, falava-se em um total de 40 postos de bandeira dupla.
Hoje os presidentes da Repsol-YPF, Alfonso Cortina, e da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul, assinaram o acordo de intercâmbio, sem dar maiores detalhes sobre a negociação, alegando sigilo comercial. A Petrobras deverá expandir sua participação na Argentina não apenas em revenda como no refino de combustíveis. Em contrapartida, a Repsol ingressará no mercado brasileiro não apenas neste segmento mas, possivelmente, em outros ativos pertencentes à Petrobras, o que pode representar, inclusive, parcerias em exploração e produção.
No âmbito da distribuição de combustíveis, ainda não está estabelecida a configuração do negócio, como explicou o diretor de Mercado Automotivo e Lubrificantes da BR-Distribuidora (subsidiária da Petrobrás), Júlio Bueno. Ele disse apenas que a empresa brasileira deve entrar de maneira integrada na Argentina, já que a criação da subsidiária de distribuição no Brasil só ocorreu por causa do monopólio operacional da Petrobrás, que se estendia até o segmento de refino, mas não existia mais em distribuição.


