Petrobras deve reduzir ainda mais o organograma
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Gustavo Alves e Irany Tereza 
Rio, 31 (AE) - A reestruturação da Petrobras, iniciada no ano passado, com a mudança na formação do Conselho de Administração, redução de diretorias e modificação no padrão contábil do balanço, ainda está em curso. A empresa deverá reduzir ainda mais o organograma, com a extinção da diretoria de Engenharia, que está sendo analisada pelos conselheiros.
Hoje o ministro chefe da Casa Civil, Pedro Parente, disse que as modificações são importantes para que a empresa possa competir com as multinacionais de petróleo que estão ingressando no País.
"A empresa vai enfrentar mais competição, e operar em um nível de liberdade maior concedido pelo governo", afirmou o ministro, que faz parte do Conselho de Administração. "O objetivo da reestruturação é, basicamente, preparar a Petrobras para um novo mundo", definiu Parente, depois de participar de uma palestra para empresários estrangeiros, no Palácio da Cidade.
Um dos principais ítens da pauta que está sendo discutida há duas semanas é a extinção da Diretoria de Engenharia, criada em março do ano passado, depois que Henri Phillipe Reichstul assumiu a empresa. Com isso, a Superintendência de Engenharia (Segen) passaria para o controle da diretoria de Exploração e Produção, que já havia sido reforçada no ano passado, ao absorver a diretoria Comercial.
A direção da Petrobras pretende concentrar a atuação da empresa em sua principal atividade, produção de petróleo, para poder enfrentar concorrentes do porte da Shell, Exxon, BP Amoco e Texaco, que já estão operando no Brasil. Mas deverá encontrar resistências às mudanças entre os próprios funcionários. A Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet), já articula um movimento contra a medida e pretende levar uma comitiva de deputados federais fluminenses ao encontro de Henri Phillipe Reichstul na segunda-feira.
"O efeito prático de uma modificação como esta é a preparação para a terceirização dos serviços de engenharia e a perda do know how atingido ao longo de 30 anos", diz o presidente da Aepet, Fernando Siqueira. A Segen é constituída por cerca de 1.500 funcionários, que trabalham na fiscalização de obras projetadas por empresas contratadas.
Parente confirmou que uma das questões fundamentais nas mudanças é referente ao setor de engenharia da Petrobras, que deve ser absorvido pela direção de Exploração e Produção. No entanto, ele não disse se é favorável ou não à proposta. "Ainda estamos na fase de recolher informações". Ele negou que tenha havido uma divisão, entre os integrantes do conselho, por causa deste ponto da mudança. "Foram feitas muitas perguntas, mas não houve discussão".
O ministro lembrou que, desde o ano passado, a estatal vem passando por uma reforma que "dobrou o seu valor no mercado", com o aumento da transparência da situação da Petrobras. Na última reunião do conselho, contou Parente, foi feita uma "apresentação inicial" da proposta de reestruturação.


