Rio, 12 (AE) - A Petrobras está preparando seu retorno ao setor petroquímico, quatro anos depois de encerrado o processo de venda de ativos da Petroquisa.
A participação da empresa ocorrerá em novas bases e deverá ser um importante agente na reestruturação do setor, processo que vem se arrastando pelos últimos três anos. Minoritária nas três centrais de matérias-primas do País, a Petrobras ainda possui ativos petroquímicos cujo valor patrimonial, pelo balanço do ano passado, alcança R$ 900 milhões.
"Estamos decidindo onde vale a pena continuar, onde iremos aumentar ou diminuir a participação ou até mesmo sair", afirmou ao Estado o diretor de Negócios de Gás e Energia, Delcídio do Amaral Gomez.
Segundo o executivo, será feita uma "depuração de ativos". Até o início da reestruturação da Petrobras, anunciada na semana passada, ele coordenou o processo de retomada da atividade petroquímica, como diretor de Participações. Com o novo desenho da estatal, o setor passou a ocupar a gerência da diretoria de Refino e Logística.
A volta da estatal à petroquímica antes da abertura total do setor de petróleo é criticada pelo ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) José Pio Borges, atual diretor do Banco Liberal. "Apesar de não ser mais monopolista de direito, a Petrobras ainda o é de fato e
por ser a única fornecedora de matéria-prima, isso pode criar problemas, como interferências políticas a favor de um pólo ou outro", pondera. "A longo prazo, o retorno não teria nada de errado, porque já teríamos duas ou três grandes indústrias no setor e a participação da Petrobras seria irrelevante."
A proposta aprovada pela diretoria da Petrobras é a de só manter a empresa em pólos onde seja possível também a participação na segunda geração de produtos e, mesmo como acionista minoritária, a Petrobras também quer participar do núcleo de controle. A direção da empresa também decidiu que não manterá a presença em negócios cuja rentabilidade fique abaixo de 15% ao ano.
Participação -O modelo a ser adotado será o mesmo utilizado no Pólo Gás-Químico do Rio, cuja planta tem previsão de começar a operar em 2003. No contrato, há uma cláusula específica de participação de gestão, na qual decisões estratégicas, como o estabelecimento de preço para a matéria-prima, que só poderá ser decidido por unanimidade. Isso impedirá que a Petrobras venda produtos a um preço baixo, por ser voto vencido em reunião de Conselho de Administração.
Atualmente, a Petrobras ainda participa dos três pólos, mas apenas na primeira fase de produção, com 15,4% na Copene (Bahia), 15% na Copesul (Rio Grande do Sul) e 17% na Petroquímica União (São Paulo). A saída da empresa da segunda geração petroquímica (polietileno, produto intermediário na confecção de matérias plásticas) na qual detinha, antes dos leilões da Petroquisa, cerca de um terço do mercado, ocorreu ao longo dos cinco anos em que durou o processo de privatização.
Maior valor -Voltando a ter uma atuação integrada, a empresa garante a participação em fases de produção de maior valor no segmento.
Na época da privatização dos ativos da Petroquisa, o projeto do governo encontrou muita resistência, especialmente na própria estatal. Decidiu-se, então manter a participação minoritária, mas apenas nas centrais de matérias-primas. Depois da privatização, os 16 grupos empresariais privados que continuaram no setor não encontraram um modelo de reestruturação que levasse à esperada concentração empresarial. "Houve até perda de participação, porque as empresas estavam acostumadas com a tutela do governo", diz Borges.

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