Petrobrás continua dominando mercado petrolífero
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Irany Tereza, Gustavo Alves e Mônica Ciarelli 
Rio, 16 (AE) - O leilão de áreas de exploração de petróleo, realizado nos últimos dois dias pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), deu ao País 12 novas companhias na disputa pelo mercado. Mas a Petrobrás, que monopolizou o setor durante 45 anos, continuará sendo a operadora dominante no mercado nacional.
Depois da licitação, a empresa conseguiu ampliar a área de atuação que havia lhe restado após a partilha com a ANP, retomando blocos em regiões promissoras. Das 27 áreas licitadas, 12 foram vendidas, por um valor total de R$ 321.655.955,00 e ágio total de 11.225,91% em relação ao preço mínimo dos blocos vendidos.
A Petrobrás foi a maior compradora, arrematando cinco dos blocos, isoladamente ou em consórcios. "Os outros é que foram frouxos", comentou diretor-geral da ANP, sobre o contraste entre a agressividade da Petrobrás e a timidez de outras companhias, que causou o encalhe de mais da metade das áreas ofertadas.
As megacompanhias deram o tom da primeira licitação do setor de petróleo no País. Das 38 empresas habilitadas, 12 fizeram lances e apenas três delas podem ser consideradas de médio porte. As demais são grandes conglomerados que operam nas maiores bacias de petróleo do mundo. Mas, no Brasil, preferiram uma entrada cautelosa.
Somente a italiana Eni, holding controladora da Agip do Brasil, teve uma participação destacada, sendo a Segunda maior compradora, com quatro blocos. O presidente da empresa, Rocco Valentinetti, porém, atribuiu sua atuação mais a uma estratégia empresarial para formar "moeda de troca" em associações futuras.
Das grandes companhias, a Agip foi a única a não acertar parceria com a Petrobrás antes da licitação. "Perdemos o prazo", lamentou. A Shell, a Segunda no ranking mundial, surpreendeu disputando apenas dois blocos e vencendo um, na Bacia de Foz do Amazonas, com outras três parceiras (Esso, BP/Amoco, Petrobrás e British Borneo).
Antes do leilão a expectativa era de que a empresa anglo-holandesa, que domina tecnologia de extração de petróleo em campos marítimos de grande profundidade, entrasse pesado na disputa por blocos nas áreas de Campos, Espírito Santo e Santos.
"Nossa estratégia era mesmo a de ingressar no mercado brasileiro mais devagar para aumentar os investimentos mais tarde, avaliando os resultado das primeiras participações", afirmou David Pirret, presidente da Shell do Brasil, lembrando que a empresa está fechando três parcerias com a Petrobrás.
A expectativa é de que a estatal brasileira estenda sua participação no mercado ainda mais, já que a maioria das empresas vencedoras do leilão manifestaram interesse em oferecer participação à estatal, em troca de associações em outras áreas no País.
O superintendente de licitações da ANP, Ivan de Araujo Simões Filho, estranhou o comportamento das empresas, já que pela quantidade de depósitos de caução feitos, era esperada competição em quase todas as áreas. "Foram depositadas dezenas de cauções e empresas que fizeram até cinco depósitos não compareceram com nenhum lance", surpreendeu-se Simões Filho.
A ANP terá de devolver as cauções não utilizadas, cada uma no valor de US$ 500 mil. A falta de interesse na maioria das áreas, porém, já era prevista por muitos participantes do leilão. "Havia áreas com maiores atrativos do que outras e é normal que algumas não sejam vendidas", disse Jean-Paul Prates, diretor da Expetro Internacional, consultoria especializada em petróleo.
Mas o desinteresse de algumas empresas provocou queixas do diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, David Zylbersztajn. "Muita empresa falou muito e na hora de agir, não agiu", criticou.
Para o diretor de Desenvolvimento de Negócios da BP Amoco, Paul Watkins,houve demora na definição da política tributária para o setor pelo governo. Maior petrolífera do mundo depois da fusão da inglesa British Petroleum com a norte-americana Amoco, a BP participou apenas da disputa por Foz do Amazonas, uma região onde a Esso e Petrobrás descobriram boas jazidas de gás na época dos contratos de risco, na década de 80.
"O Brasil pode ser um importante campo para as grandes multinacionais", diz Watkins. "Não estaríamos fazendo proposta se não considerássemos o Brasil um dos poucos países onde vale a pena investir na área de exploração." "Levou muito tempo para acertar um trabalho conjunto entre a ANP, Petrobrás, empresas estrangeiras e o governo brasileiro, mas ficamos encorajados com as mudanças tributárias anunciadas na semana passada pelo ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho", disse Watkins.
Apesar de terem sido vendidas menos da metade das áreas oferecidas, os empresários evitaram falar em fracasso, dizendo que, no fim, o resultado foi positivo. "O Brasil não acaba hoje
todos estão interessados em novas licitações", disse o presidente da Agip, Rocco Valentinetti.
"Não acho tímida a atuação da indústria", completou o presidente da YPF, João Carlos de Luca. "Todos entraram nas áreas que queriam e a YPF, por exemplo, com as três áreas arrematadas no leilão e as parcerias com a Petrobrás, terá investimentos espalhados por todo o País."


