São Paulo, 22 (AE) - O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, disse hoje concordar que o preço ideal do petróleo seria de US$ 24 por barril, como afirmou recentemente o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Rilwanu Luknan. Reichstul explicou que essa é uma média sustentável: nem tão baixa quanto a cotação de US$ 10 por barril, valor do início do ano passado, nem tão alta como os US$ 27, segundo cotação internacional, hoje, do tipo brent (prospecção no Oriente Médio). Já a cotação do petróleo tipo WTI
o mais puro do mundo, prospectado no Texas (EUA), tem variado acima de US$ 30 o barril.
Em 27 de março, a OPEP redefine as cotas de venda de petróleo aos seus clientes e, caso haja aumento de produção e oferta dos países-membros da Organização, o preço tenderá a cair. "Acreditamos no aumento das cotas e redução dos preços em breve", reiterou o presidente da Petrobras. "Temos interesse na estabilidade do preço, pois programamos investimentos de US$ 33 bilhões para um prazo de cinco anos", acrescentou.
Embora a Petrobras produza 70% do petróleo consumido no Brasil e importe 30%, o preço interno de todo o produto é cotado pelo valor da commodity. Reichstul informou que o custo de produção e prospecção de petróleo no mercado interno está entre US$ 12 e US$ 13 por barril. No entanto,a diretoria financeira da Petrobras afirmou, há cerca de 15 dias, que esse valor é de US$ 3 por barril. Ou seja, quanto mais alto o preço do petróleo no exterior, maior a margem de lucro da Petrobras e os fundos da conta-petróleo usados pelo governo federal para amortizar dívidas públicas interna e externa.
Sobre o Proálcool, o presidente da Petrobras afirmou que a questão é muito complexa, pois envolve empregos, agricultura, energia e a perspectiva das cotações do petróleo a longo prazo. A própria formação do preço do petróleo, disse ele, tem um componente político muito forte. "O preço do petróleo é político e varia de país para país. Não há clareza sobre o que vai acontecer com os preços do petróleo nem do álcool", ponderou. O governo brasileiro subsidia a indústria de álcool, por meio da obrigatoriedade das distribuidoras em acrescentar de 24% a 26% do produto a gasolina, ao invés dos necessários 12% para o bom desempenho do motor do automóvel.
Dos US$ 33 bilhões de investimentos programados pela Petrobras, nos próximos 5 anos, 68% serão aplicados em exploração e produção de petróleo, 17% em refino, transporte e comercialização, 5% em distribuição 10% em gás e petroquímica, e os outros 10% em operações diversas. O presidente da Petrobras concedeu as informações hoje, em entrevista coletiva durante o seminário "Setor de Petróleo e Derivados", dentro da programação do Fórum Abimaq 2000 - Perspectivas e Participação Mercadológica, organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo.

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