Petrobras conclui que acúmulo de lama em 2 pontos da tubulação teria provocado vazamento2/Mar, 21:31 Por Adriana Ferreira Rio, 02 (AE) - A Petrobras divulgou hoje os relatórios conclusivos sobre o vazamento de 1,29 milhão de óleo na Baía de Guanabara, no dia 18 de janeiro. Segundo o laudo, o fato de dois pontos do duto terem ficado presos por causa do acúmulo de lama teria provocado o acidente. Isto provocou uma envergadura na tubulação, que acabou rompendo. De acordo com a Petrobras, esses trechos ficaram presos por conta do assoreamento no mangue, que, segundo os técnicos, não era previsível. Segundo o superintendente de Pesquisa, Exploração e Produção do Centro de Pesquisas da Petrobras, Carlos Soligo Camerini, o caso que ocorreu com esta tubulação é inédito. "Nada semelhante é encontrado na literatura internacional", observou. Os técnicos da empresa afirmam que não houve erro de projeto, embora tenham chegado a admitir que isto foi um problema, logo após o vazamento. Eles, no entanto, titubeiam quando a questão é a inspeção do duto. "Talvez tenha ocorrido erro de inspeção", reconheceu o diretor de abastecimento da empresa, Albano de Souza Gonçalves. Dutos que transportam combustíveis em alta temperatura têm que ser flexíveis por conta da sua dilatação. Preso em dois pontos, a tubulação acabou criando pontos de tensão quando se movimentava, o que a levou formar uma curvatura. Gonçalves afirmou que o duto não voltará a transportar com altas temperaturas. A possibilidade de se construir um outro sistema não é descartada completamente. Os custos são altos: a construção de uma nova tubulação ficaria em torno de US$ 20 milhões. Natureza - Uma equipe de profissionais da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, acompanhou todo o processo de avaliação das causas do rompimento do duto. Os pesquisadores da Coppe, no entanto, também preparam um relatório sobre o assunto, a ser divulgado no dia 22 de março. Se um fenômeno da natureza foi o que ocasionou o problema na tubulação - o assoreamento teria sido provocado pela alta e baixa da maré -, a falha constatada na operação contribuiu, de acordo com Gonçalves, para um maior derramamento do combustível. Se os funcionários tivessem se dado conta mais cedo do acidente, cerca de 600 mil litros não teriam sido despejados na Baía durante duas horas. O atraso na constatação do acidente aconteceu porque operador de plantão errou os cálculos da quantidade de óleo que entrava e saía do duto. Este funcionário - a Petrobras não divulgou nomes - foi suspenso por 29 dias e o supervisor e o gerente de operações foram destituídos de seus cargos. Reduc - Toda a produção da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) foi paralisada hoje depois de um incêndio em um turbo gerador, na quarta-feira. Gonçalves informou que não "houve consequências humanas" e que espera que a Reduc volte a funcionar ainda amanhã. Com a paralisação da refinaria deixaram de ser produzidos 200 mil barris/dia. "A importação não será necessária pois temos estoque", garantiu Gonçalves. Hoje ocorreu vazamento de propeno na Reduc, em consequência de um dreno aberto. Embora não soubessem informar a quantidade de gás que acabou vazamento, os engenheiros negam que tenha sido 40 toneladas, como havia sido divulgado pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Destilação e Refinação de Petróleo de Duque de Caxias.