Rio, 14 (AE) - A Petrobrás pretende lançar até janeiro American Depositary Receipts (ADRs) de nível 3 na Bolsa de Nova York. Este foi o principal motivo de a empresa ter assumido em seu balanço do primeiro trimestre todo o impacto decorrente da desvalorização cambial, o que acarretou o prejuízo recorde de R$ 1,5 bilhão. "Foi uma estratégia correta, que deve facilitar o registro na Securites Exchange Comission (SEC)", comentou o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, ao chegar hoje à sede da Petrobrás para a reunião do Conselho de Administração.
A Petrobrás só registrou prejuízo por causa da maxidesvalorização do real, já que o endividamente da empresa em dólar diminuiu, passando de cerca de US$ 10 bilhões para US$ 8 bilhões. Se o câmbio não tivesse sido alterado, a companhia teria tido lucro no primeiro trimestre do ano.
Por isso, o resultado da empresa não surpreendeu os analistas do mercado especializados no setor. "A dívida em dólar da empresa já era conhecida", comentou Carlos Antonio Magalhães, da consultoria Sirotsky & Associados. "Operacionalmente, o desempenho da Petrobrás foi até melhor."
Os ministros do Orçamento, Pedro Parente, e das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, participaram da reunião, que se estendeu por mais de quatro horas, mas saíram sem dar entrevistas.
Uma fonte da Petrobrás informou que, além da análise dos dados da balanço, foi discutida a estratégia de participação da empresa na licitação que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) fará nos dias 15 e 16 de junho, com a oferta de 27 concessões de áreas de exploração de petróleo.
Segundo esta mesma fonte, a contabilidade da Petrobrás ainda não foi totalmente convertida para o padrão USGap, exigido para as empresas que negociam papéis na Bolsa de Nova York. O trabalho está sendo feito para que a empresa peça ainda este ano registro na SEC. Técnicos da empresa já estiveram em Nova York para negociar a tramitação do pedido.
Atualmente, a companhia negocia apenas ADRs de nível 1, que dá direito de acesso apenas ao mercado de balcão, uma espécie de estágio preliminar da oferta de títulos em bolsas de valores. A intenção da Petrobrás é pedir diretamente o registro de nível 3, com o qual a empresa pode lançar novas ações e fazer captação no exterior.
Papers - Hoje a Petrobrás fez um lançamento de euro commercial papers no valor de US$ 100 milhões, o primeiro lote de um pacote de US$ 900 milhões. Não foi um lançamento volumoso, mas teve prazo de um ano, ao contrário das emissões mais recentes, todas de curto prazo.
Desde a desvalorização, foi a primeira iniciativa da Petrobrás no mercado externo por um período mais longo. Na reunião com os conselheiros ontem, a direção da Petrobrás apresentou também seu plano de atuação em parcerias, com o qual pretende atrair, nos próximos três anos, US$ 1,250 bilhão de investimentos externos.

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