Petrobras atrasa recuperação de oleoduto no PR
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Andréa Lombardo<br>De Curitiba 
As obras de recuperação do oleoduto que liga a Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, ao Terminal de Paranaguá, no Litoral do Estado, deverão ser concluídas até o próximo dia 20. A previsão inicial da Petrobras era de terminar os trabalhos amanhã.
O duto se rompeu no dia 16 de fevereiro deste ano, num trecho que corta a Serra do Mar, na localidade de Carambiú, município de Morretes. Cerca de 15 mil litros de óleo diesel vazaram, atingindo a vegetação e rios da região. A empresa se eximiu da culpa pelo acidente, alegando que o rompimento se deu pela movimentação do solo, que tirou a sustenção da tubulação.
O gerente da Dutos e Terminais de Paranaguá, Luiz Vicente Maurer Ferreira da Costa, informou que o atraso se deu por conta de um número maior de reparos que foram necessários. A primeira inspeção acusou 15 pontos da tubulação que precisavam ser trocados. Na segunda vistoria foram identificados mais 20 trechos. A inspeção é feita com o uso de uma sonda que verifica os defeitos e mede a espessura das paredes das tubulações.
Costa disse que toda a extensão do oleoduto passou, também, por teste hidrostático. A tubulação foi enchida com água e submetida a pressões que, em alguns pontos, chegaram a ser 20 vezes maior do que a pressão normal de operação. Isso, também, para verificar a resistência do duto e identificar pontos defeituosos.
Dos 96 quilômetros do duto, cerca de 3 quilômetros foram substituídos, inclusive, em seis pontos do trecho de seis quilômetros, que fica dentro da Baía de Paranaguá. Quatro deles já foram reparados. O grau de dificuldade das obras nesse trecho, segundo Costa, é maior. A tubulação tem que ser suspensa em balsas para ser consertada.
De acordo com o gerente, foram instaladas mais sete válvulas de bloqueio, além das quatro já existentes. O dispositivo serve para conter o combustível transportado em um determinado trecho do duto tanto nos casos de manutenção como em situações de emergência.
A Petrobras busca a recuperação do oleoduto já que por ele são transportados produtos altamente tóxicos. Um novo acidente mancharia, ainda mais, o nome da empresa. De Araucária para Paranaguá seguem gasolina, diesel, nafta petroquímica e MTBE (tipo de éter). No sentido contrário, são conduzidos metanol e G.L.P. (gás de cozinha).
O reinício da operação do oleoduto vai depender da liberação pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), órgão fiscalizador que avalia se os quesitos de segurança estão sendo cumpridos pela Petrobras. Somente depois o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vai decidir pelo desembargo e licenciamento ambiental da obra.
Segundo a coordenadora de Estudos e Padrões Ambientais do IAP, Ana Cecília Nowack, a Petrobras está respondendo judicialmente pela recuperação ambiental da área atingida pelo óleo. O IAP multou a empresa em R$ 150 milhões.


