Petrobras atrasa programa ambiental
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quinta-feira, 27 de julho de 2000
Irany Tereza Agência Estado Do Rio de Janeiro 
Nos seis meses que separaram os dois graves acidentes ecológicos da Petrobras este ano - o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, em janeiro, e o de 4 milhões de litros de óleo no Paraná, no dia 16 - a empresa investiu somente 30% do que prevê seu programa ambiental. Lançado logo depois do primeiro acidente, o Programa de Excelência em Gestão Ambiental e Segurança Operacional (Pegaso) determinou investimentos de R$ 619 milhões para este ano. Até agora, foram aplicados R$ 190 milhões, o que significa que, para atingir a meta, a Petrobrás terá de dispor de dois terços da verba prevista nos próximos cinco meses.
Os recursos foram investidos basicamente no Rio, onde fica a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), em que ocorreu o primeiro vazamento. Nas demais unidades de refino (dez, no total) a manutenção continuou praticamente no mesmo ritmo.
Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), publicada também logo depois do derramamento de óleo do início do ano, determinou prazo até o início de outubro para a entrega de um levantamento das ações de controle e prevenção das instalações industriais de petróleo em todo o País.
A três meses do vencimento do prazo, a Petrobrás ainda está em processo de seleção das consultorias que farão a avaliação para atendimento de contingência nas unidades das oito bases industriais do País.
Os dois exemplos demonstram que, apesar da mudança de comportamento da Petrobrás depois da quebra do monopólio, há três anos, a adequação das unidades de refino e transporte (dutos) aos padrões internacionais caminha a passos lentos. Antes de concluir a primeira etapa de um programa de recuperação
A direção da empresa foi pega no contrapé por mais um grande acidente na unidade que é tida como sua refinaria de melhor qualificação, a Repar.
Só há três opções para a Petrobrás desarmar a bomba-relógio em que se transformaram as refinarias e dutos: investir menos em produção e mais em refino, fazer parcerias nas refinarias ou, simplesmente, vender algumas de suas refinarias, diz Adriano Pires Rodrigues, professor de Planejamento Energético da Coordenadoria de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe), da UFRJ. Durante dois anos, ele fez parte da equipe da Agência Nacional do Petróleo (ANP), na qual foi assessor da presidência, superintendente de importações e superintendente de abastecimento.


