Rio, 20 (AE) - A Petrobras anunciou hoje o mais agressivo plano de empreendimentos de uma empresa nacional: para aumentar a sua rentabilidade, irá investir US$ 32,9 bilhões no período de 2000 a 2005, o que corresponde a US$ 5,483 bilhões por ano. A cifra é, por exemplo, mais do que o dobro do que a Telefonica de Espanha pretende injetar no ano que vem na Telesp e quase oito vezes o investimento anual da Intelig (empresa-espelho da Embratel) no Brasil previsto para os próximos quatro anos.
Segundo o presidente da Petrobras, Henri Phillipe Reichstul, 70% dos investimentos virão do próprio caixa da empresa ou de financiamentos convencionais. De 1996 a 98, a média da empresa foi de US$ 3 bilhões e este ano, devido a sucessivos cortes no orçamento determinados pela União para reforçar o caixa do Tesouro, o total dos investimentos da estatal não passou de US$ 1,2 bilhão.
Reichstul apresentou hoje a uma platéia de especialistas financeiros da Associação Brasileira de Analistas do Mercado de Capitais (Abamec) o novo plano estratégico da empresa, que prevê uma redução dos custos fixos da empresa de US$ 270 milhões em seis anos. O plano foi visto como uma boa notícia pelos analistas, mas algumas metas foram consideradas ambiciosas demais. "Não vejo como poderá ser feita uma redução tão grande assim nos custos", disse o vice-presidente do Banco Chase-Manhattan, Pedro Martins Jr. "A geração de caixa da Petrobras não parece suficiente para custear estes investimentos", comentou Márcio Brito, do Banco Icatu.
Os técnicos da Petrobras elaboraram as projeções tomando por base o crescimento da economia nacional de 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano e trabalhando com o preço de US$ 15 o barril de petróleo. "As metas são factíveis e o plano estratégico vai consolidar a Petrobras como a maior empresa brasileira", garante Reichstul, que prevê a auto-suficiência do Brasil na produção de petróleo no ano de 2005.
No ano passado, a companhia faturou R$ 25 bilhões e o plano estima o faturamento de R$ 35 bilhões em 2005, um crescimento de 4,9% ao ano. "São taxas bastante conservadoras"
observou Reichstul. Na reestruturação da empresa, a área de exploração e produção de petróleo e gás mereceu tratamento prioritário, ficando com quase 70% dos investimentos previstos. As atividades de refino, transporte e comercialização que mereceram, até o ano passado, 29,5% do total de investimentos, ficaram com apenas 17% do bolo, o que demonstra por onde serão iniciadas as mudanças.
Reservas - As reservas de petróleo brasileiras, hoje comprovadamente de 8,8 bilhões de barris de óleo, passarão para 30 bilhões, um aumento de quase 50%. Hoje estas reservas estão avaliadas pelas consultorias financeiras em US$ 32 bilhões. Em 2005, serão mais de US$ 47 bilhões.
Há ainda as reservas ditas "prováveis", ou seja, blocos onde há indícios fortes da existência de jazidas, mas não sua comprovação. Atualmente, as reservas totais (provadas e prováveis) estão em torno de 17 bilhões de barris.
As vendas ou trocas de ativos não constam do plano estratégico porque, segundo Reichstul, trata-se de uma questão que será resolvida mais rapidamente. No início do ano, ele já havia anunciado a disposição de vender participações em refinarias e trocar participações em distribuição de gás, por exemplo. "É uma questão muito complexa, inclusive do ponto de vista societário", salientou.
Emprego - Em "caráter emergencial", a Petrobras está em processo de contratação de 180 funcionários. Segundo o presidente da empresa, a partir do ano que vem os concursos serão anuais. "Vamos repor os quadros da empresa, prejudicados por oito anos de não contratação", afirmou. Também a partir de 2000, a empresa iniciará um plano inédito de incentivos salariais, com remunerações especiais e benefícios para "reter competências".

mockup