Rio, 3 (AE) - A Petrobrás ainda não decidiu se vai participar da disputa pelas 27 áreas de exploração que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) levará a licitação nos dias 15 e 16 de junho. A empresa pode participar do leilão tanto isoladamente como consorciada com outras companhias, mas o Conselho de Administração ainda não chegou a um consenso sobre o assunto.
O governo espera atrair, com a entrada das empresas privadas no setor petrolífero, mais investimentos do que os da área de telecomunicações.
O diretor geral da ANP, David Zylbersztajn, foi convocado hoje a Brasília para discutir os detalhes da licitação com o ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito. O governo está esperando grande disputa pelas áreas, mas ainda não há previsão de ágio.
Segundo a assessoria de imprensa da ANP, não houve reajuste nos valores dos bônus de assinatura de cada área, que equivalem a um preço mínimo de leilão de privatização. Estipulados em dólares, eles apenas foram convertidos ao câmbio do dia da elaboração do edital.
Com isso, as áreas que estavam cotadas a US$ 50 mil, passaram a custar para R$ 85 mil, e as que prometem ser as mais disputadas, de US$ 150 mil, tiveram preço fixado em R$ 250 mil.
Os valores em reais a serem efetivamente pagos pelos vencedores da concorrência, porém, só serão conhecidos dois dias úteis antes da data de assinatura do contrato, prazo estipulado para a atualização do câmbio.
O leilão será aberto com uma valorizada área da Bacia de Campos (RJ), região que atualmente concentra mais de 75% da produção nacional e é tida como o "filé mignon" da licitação. A estratégia é de incentivar a disputa e elevar o valor dos lances.
As empresas vencedoras da concorrência iniciarão os trabalhos nos blocos um mês depois da licitação, e terão prazos de seis a nove anos para o projeto exploratório. Caso não sejam descobertas jazidas de petróleo ou gás, as áreas serão devolvidas, sem nenhum reembolso de investimento.
Por causa deste risco, os preços mínimos dos bônus das concessões tiveram valores baixos (muitas vezes inferiores ao preço pelo pacote de dados sobre as áreas, o data-room).
Depois do período de exploração, as empresas terão mais um prazo para desenvolver os trabalhos de produção. Quando começarem a produzir comercialmente, os campos permanecerão por mais 27 anos com as empresas concessionárias.

mockup