Petrobras admite risco até 2003
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segunda-feira, 14 de agosto de 2000
Agência Folha De São Paulo 
O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, disse ontem em São Paulo que a questão ambiental é o calcanhar-de-aquiles da empresa e que é impossível garantir que não ocorram novos vazamentos de petróleo no País. Hoje não podemos dizer que é impossível que haja novos acidentes. É possível. É um produto complicado, difícil de trabalhar. Atuamos no Brasil inteiro, afirmou o presidente da estatal.
Reichstul participou do seminário Petróleo e gás: a auto-suficiência através da abertura, na Câmara Americana de Comércio de São Paulo.
Segundo o executivo, a Petrobras só alcançará a excelência ambiental em 2003, quando estará concluído o programa de US$ 1 bilhão de gestão ambiental e segurança, que a empresa lançou recentemente.
Entre hoje e 2003, não podemos dizer que estamos no estado da arte em excelência ambiental. Se pudéssemos gastar esse dinheiro hoje, em um segundo - nós temos US$ 4 bilhões em caixa - transformaríamos a Petrobras numa empresa com excelência ambiental.
De acordo com o presidente da Petrobras, o programa ambiental da empresa tem um problema: Infelizmente, não se consegue gastar todo esse dinheiro imediatamente.
Reichstul afirmou, porém, que o investimento de US$ 620 milhões (do total de US$ 1 bilhão) em curso neste ano deve garantir a obtenção em 2001 dos certificados de qualidade em proteção ao ambiente, que são conhecidos como ISO 14000, ISO 14001 e ISO 9900.
A certificação é uma forma de a empresa administrar o problema ambiental, mas não é um fim. A empresa precisa ter muito mais do que a certificação. Para Reichstul, a excelência ambiental é, sobretudo, uma questão de mercado.
Se tivermos a intenção de ser uma empresa líder regional, de nos associarmos com grandes empresas, precisamos, então, ter excelência ambiental. Não é uma questão de bom-mocismo, é uma questão de negócios mesmo.
Reichstul afirmou: Há uma lacuna de tempo de três a quatro anos entre a Petrobras que temos hoje e essa nova Petrobras com excelência ambiental.
Para ele, é impossível diminuir essa lacuna de tempo imediatamente. Vamos acelerar o programa ambiental, mesmo que isso não seja econômico, mesmo que não faça sentido econômico. Vamos colocar mais gente nesse programa de investimento ambiental, tentando encurtar esses quatro anos o mais rápido possível.


