Petrobras admite problema com sistema de resfriamento na Reduc
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de janeiro de 2000
Por Felipe Werneck 
Rio, 28 (AE) - O presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul, admitiu hoje que não há recursos definidos para evitar o principal problema ambiental enfrentado hoje pela estatal: o despejo de resíduos de petróleo na Baía de Guanabara, provocado diariamente pelo sistema de resfriamento da Refinaria Duque de Caxias (Reduc).
"O principal problema da Reduc do ponto de vista ambiental é o canal de resfriamento, que sai da baía, atravessa um mangue e distribui essa água salgada por todas as unidades para esfriá-las; a água depois é jogada de volta na baía, acumulando nesse processo resíduos de vários produtos com petróleo e derivados", disse Reichstul, após uma reunião com 13 parlamentares da bancada fluminense, na sede da estatal, no Rio.
O deputado Ronaldo Cezar Coelho (PSDB-RJ) cobrou uma solução."Esse sistema de refrigeração não é adequado e merece investimentos para que o problema, que já existe há mais de 15 anos, não continue", disse o deputado. O presidente da estatal acenou com uma possibilidade de solução para o problema, que vem desde a construção da refinaria, apesar do alto investimento necessário."Temos que analisar seriamente a possibilidade de fazer investimentos para a construção de uma unidade autônoma de resfriamento, sem ligação com as águas da baía, mas não começamos ainda essa negociação com Estado", disse Reichstul.
Câmara - Na quarta-feira (02) o presidente da estatal deverá participar de uma audiência pública na Câmara dos Deputados para depor sobre o desastre ambiental provocado pelo vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo de um duto da Refinaria de Duque da Caxias (Reduc), na Baía de Guanabara, dia 18, e esclarecer sobre investimentos em segurança ambiental.
Para Coelho, a falta de investimentos da estatal nos últimos dez anos pode ter contribuído para eventuais falhas na prevenção de acidentes ambientais. "A Petrobras teve cortados investimentos nos últimos dez anos que certamente prejudicaram, deixaram a desejar em alguns aspectos da questão ambiental", afirmou. Segundo Reichstul, houve "falta de consciência ambiental e ecológica da sociedade como um todo" nesse período. "Esse acidente, que teve causas desastrosas, vai servir como uma lição para a Petrobras e toda a sociedade brasileira". Ele disse que sua intenção é "fazer uma revolução ambiental na empresa".
Navios - O deputado Carlos Santana (PT-RJ) cobrou do presidente da estatal medidas para evitar problemas com o fretamento de navios da Frota Nacional de Petroleiros (Fronap), que estariam operando sem condições de segurança ambiental na baía. "Não adianta enfocar apenas a Reduc, porque existem diversos outros problemas, afirmou. Reichstul disse que não deverá haver redução do número de navios na baía. Santana também cobrou o pagamento de auxílio desemprego aos pescadores e comerciantes afetados diretamente pelo desastre ambiental. "Ficamos satisfeitos porque nossas questões foram objeto de preocupação da empresa, além das providências que as três comissões estão tomando", disse Coelho.
O superintendente de Exploração e Produção, Rodolfo Landim, disse que Petrobras vai suspender a distribuição de cestas básicas - até hoje haviam sido entregues 5.320 cestas. A decisão da Petrobras foi tomada porque ontem , na praia de Ramos
pessoas que não estava cadastradas estavam se apresentando para receber as cestas. Uma reunião de diretoria seria realizada hoje para decidir a substituição do pacote de alimentos por uma indenização.


