Rio, 26 (AE) - Os petroleiros suspenderam hoje a greve marcada para amanhã e quinta-feira depois que a Petrobras aceitou negociar uma nova contraproposta salarial para a categoria. Trabalhadores e dirigentes da estatal vão sentar à mesa na quinta-feira para iniciar uma nova rodada de conversas. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) também apresentou uma nova proposta aos bancários para evitar que a categoria comece uma greve por tempo indeterminado a partir do próximo dia 4, como ficou acertado durante o Encontro Nacional dos Bancários, no Rio de Janeiro.
Os petroleiros reinvindicam reajuste salarial de 5,79%, reposição de 37,25% referente a perdas obtidas desde o início do Plano Real, em julho de 1994, e um aumento de produtividade de 24%. Já a estatal aceitava conceder apenas reajuste de 3,9% mais um salário base de abono. O diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, Mosar Queiroz, afirmou que a empresa não apresentou avanços nas cláusulas financeiras, mas aceitou discutir o aumento na jornada de trabalhadores nas plataformas da Bacia de Campos. "Não vimos mudanças significativas, mas a FUP (Federação Única dos Petroleiros) decidiu analisar melhor a questão", disse Queiroz.
A última grande greve da categoria aconteceu em maio de 1995, quando os trabalhadores cruzaram os braços por 31 dias. Na época, houve problema de abastecimento nos postos de gasolina do país. Desde que recebeu o comunicado da FUP, que ameaçava realizar a greve, a empresa preparou estoque de combustível para evitar problemas de desabastecimento.
A maioria dos 36,5 mil petroleiros já haviam concordado com a paralisação antes de a Petrobras aceitar voltar à mesa de negociação. Apenas os trabalhadores das refinarias de Duque de Caxias (Reduc), no Rio, e Gabriel Passos, em Minas Gerais, votaram contrários a paralisação na última assembléia.
Bancários - Já a Fenaban ofereceu melhorias financeiras em sua contraproposta apresentada hoje aos bancários. A federação propôs um reajuste salarial de 5,5%, acima dos 4% anteriores. O aumento ficaria acima da inflação apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre setembro de 98 e agosto deste ano, que foi de 5,23%, mas ainda é menor do que os 5,79% reivindicados pela categoria.
A presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Fernanda Carísio, considerou positiva a proposta da Fenaban, principalmente porque foi retirada da pauta de negociações o fim do anuênio concedido aos trabalhadores por tempo de serviço. Carísio destacou que os bancários querem ainda 4,58% para compensar as perdas do Plano Real.

mockup