Petrelluzzi diz que Estado ofereceu ajuda à CPI
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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 19 (AE) - O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Marco Vinício Petrelluzzi, disse hoje ter oferecido, no dia 10, auxílio à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, mas não obteve resposta. Petrelluzzi afirmou ter pedido, no ofício, que fosse informado sobre qualquer envolvimento de policiais em crimes para tomar "as providências legais".
Ao ser perguntado sobre a possibilidade de o Estado de São Paulo participar mais diretamente das investigações da CPI, Petrelluzzi respondeu que qualquer interferência do Estado podia ser mal interpretada. "Foi por essa razão que eu mandei um ofício no dia 10 ao presidente da CPI, assinado pelo meu secretário-adjunto (Mário Papaterra Limongi)."
De acordo com ele, o ofício dizia que "o governo de São Paulo tem todo o interesse em ajudar a CPI e se coloca à disposição". "Até dois dias atrás não havia recebido nenhuma solicitação." Segundo ele, nesse dia, um deputado estadual de São Paulo solicitou que a secretaria enviasse alguém para acompanhar os trabalhos da CPI da Câmara dos Deputados. "Está lá um dos meus principais assessores para fazer isso."
De acordo com ele, a polícia da região de Campinas também tem contribuído "muito" para a CPI por meio de abertura de sindicâncias. "Muitas das coisas que vêm sendo anunciadas são decorrência de apurações que já vinham sendo feitas." Petrelluzzi afirmou que a natureza da apuração da Corregedoria da Polícia Civil é sigilosa por força de lei até seu final, portanto, diferente da CPI. "As corregedorias têm recebido todo apoio do governo."
Petrelluzzi afimou que neste ano já foram demitidos mais de 400 policiais civis e militares envolvidos com tráfico de drogas
facilitação de fuga, roubo e homicídio. Segundo o secretário, a corregedoria tem hoje mais de mil procedimentos instaurados na corregedoria. "Acontece que eles não são abertos com esse espalhafato, com essa publicidade toda, que é da essência da CPI
ela funciona assim mesmo." Em seguida, ele disse que alguns desses casos, "talvez", a polícia não estivesse apurando. "A gente vê com muito bons olhos que novos casos, que, eventualmente, a gente não estivesse sabendo sejam acrescentados."
Segundo Petrelluzzi, não é a polícia de São Paulo que está sob suspeita, mas alguns policiais. "Não é porque um advogado foi preso que toda a Ordem dos Advogados do Brasil está sob suspeita; é preciso dar uma dimensão adequada a isso." Petrelluzzi disse que vai esperar o fim da CPI para ver se muda ou não o comando da polícia na região de Campinas. "Tomar providências no meio do processo é completamente equivocado, você pode cometer erros."
Para o secretário, a melhor forma de se combater o crime organizado é atacar a lavagem de dinheiro dos bandidos. Para tanto, ele defendeu a criação de forças-tarefas envolvendo as polícias estaduais, federal, a Receita Federal, as secretarias da fazendas estaduais e o Banco Central. Para ele, nos Estados em que esse tipo de crime tem mais significado, "São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul", essas forças-tarefas deveriam servir para combater o crime organizado. "Nos Estados Unidos isso vem dando ótimos resultados." O secretário também reclamou uma fiscalização maior da Polícia Federal em relação ao combate do tráfico de armas e de drogas nas fronteiras do País. "A União não está cumprindo com a sua parte na segurança pública."


