Petrelluzzi assumirá Secretaria de Segurança
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Vera Rosa 
São Paulo, 28 (AE) - O procurador de Justiça Marco Vinício Petrelluzzi é o novo secretário da Segurança Pública, a área mais problemática do governo paulista desde o primeiro mandato de Mário Covas (PSDB). Petrelluzzi substituirá o jurista José Afonso da Silva, que está no cargo desde janeiro de 1995 e entregou sua carta de demissão a Covas há 12 dias. O anúncio do sucessor de José Afonso era o mais esperado do secretariado porque o governador já havia dito que quer mudanças radicais na política de segurança do Estado.
Além da indicação de Petrelluzzi, Covas confirmou hoje a permanência do atual secretário da Habitação, Francisco Prado, que está na cota do PTB. Com cinco deputados na Assembléia Legislativa, o PTB integrou oficialmente a aliança que sustentou a candidatura à reeleição de Covas, embora alguns dirigentes tenham declarado apoio ao ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). Na acomodação política do segundo mandato, outros partidos podem obter cargos na equipe do tucano, como o PMDB, o PSB e o PPS. Covas tem reiterado que deseja dar um caráter de centro-esquerda ao governo.
Filiado ao PSDB, o novo secretário da Segurança Pública tem 42 anos e é homem da confiança do governador desde 1985, quando trabalhou com ele na Prefeitura. Atualmente, Petrelluzzi é assessor especial de Covas. Amigo do procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Marrey, atuou como promotor criminal e é um dos fundadores do Movimento pelo Ministério Público Democrático. Quando foi criado, em 1991, o movimento tinha como principal bandeira desatrelar o Ministério Público do governo. Apesar de ser o encarregado de fiscalizar todos os poderes, o MP era tão ligado ao Executivo, na época, que os governos Quércia e Fleury ficaram conhecidos como "República dos Promotores".
Petrelluzzi não quis antecipar seus planos para a área. "É um desafio e eu gosto deles, mas confesso que me preocupo em substituir uma pessoa da integridade do professor José Afonso da Silva, por quem tenho grande admiração", afirmou o novo secretário, que ainda não escolheu o comando das Polícias Civil e Militar. "Precisarei ter uma conversa mais longa com o governador para acertar vários detalhes", justificou.
Considerada o "calcanhar-de-aquiles" da administração Covas, a segurança pública tem dado muitas dores de cabeça ao governador por causa do aumento dos índices de criminalidade, dos roubos em geral e dos furtos de veículos. Jurista de renome, José Afonso tentou pôr ordem na casa, mas enfrentou resistências, principalmente da Polícia Militar. Um dos episódios que mais marcaram essa relação de conflito ocorreu em maio de 1997, um mês depois da violência praticada por PMs na Favela Naval, em Diadema, quando José Afonso tentou, sem sucesso, tirar da corporação as atribuiçäes para policiamento de rua.
A estratégia de nomear um bacharel em Direito para comandar a segurança vem sendo adotada desde o governo Maluf, justamente para não criar disputa com as polícias, que poderiam querer indicar seus integrantes. Petrelluzzi pretende aproximar-se mais dos subordinados, mas desconversou quando perguntado sobre metas. "Cada um tem seu estilo e costumo dizer que pelo menos uma coisa vai mudar: a minha cadeira será reforçada, porque sou gordo e peso muito mais do que o José Afonso", brincou. Em seu currículo, consta como experiência na área a coordenação de um grupo especial de estudos para análise de técnicas de segurança pública de Nova York e Chicago.
A data da posse da nova equipe de governo ainda não está definida. Até hoje, Covas anunciou 13 secretários para o segundo mandato e deu início à reforma administrativa do Estado, extinguindo as pastas de Administração e Energia. A grande expectativa, agora, concentra-se na nomeação para a Casa Civil. No Bandeirantes, comenta-se que essa secretaria será comandada pelo presidente do PSDB paulista, Mendes Thame.


