Marcelo AlmeidaSem medoMário Celso Petraglia promete ação ‘‘contra tudo e contra todos’’ e diz que podem abrir a sua conta bancária e quebrar o sigilo do seu telefoneO presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, afirmou ontem que vai entrar com uma ação na Justiça Comum. ‘‘Contra tudo e contra todos que tentaram me fazer passar por um corrupto e criminoso’’, disse. Petraglia conversou ontem pela primeira vez com a imprensa, desde que foram divulgadas fitas com denúnicas sobre manipulação de resultados pela Rede Globo e que resultaram na suspensão do Atlético por um ano, pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBF.
Petraglia quer saber quais as outras denúncias que existem na fita. ‘‘Vamos tomar conhecimento do teor das fitas. Há outras conversar’’, disse. ‘‘Eliminaram a fita, mas basearam todo o processo na reportagem de televisão’’, questionou. Ele disse que sua conversa foi muito mais longa. ‘‘Neguei veemente ajudá-lo’’, afirmou.
Petraglia também explicou que foi recomendado a permanecer calado. ‘‘Para que o processo não fosse prejudicado’’, afirmou. Ele repudiou os comentários do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que disse que o seu não comparecimento à audiência do STJD para dar explicações fosse motivo para punir o Atlético e seu presidente.
‘‘É um grande desculpa. O presidente do Corinthians, Alberto Dualibi, esteve lá e foi punido da mesma forma’’, argumentou Petraglia. ‘‘Há um despacho no processo, onde o relator reconhece que eu não fui comunicado do depoimento’’, disse.
Mário Celso Petraglia também analisou o julgamento de quinta-feira à noite, no STJD, no Rio de Janeiro. ‘‘Houve o pré-julgamento. Os auditores estavam com seu voto definido antes do início da sessão. sabíamos disso desde as 10 horas da manh㒒, acusou. Para ele o julgamento queria beneficiar o sistema. ‘‘Foi uma somatória de interesses. A eles (CBF) interessa manter o Fluminense na primeira divisão e pegaram o Atlético como bode expiatório’’, analisou.
Petraglia disse que o Atlético era o principal alvo no julgamento. ‘‘O objetivo era acertar os mais fracos e resolver vários problemas ao mesmo tempo. Nós estávamos crescendo e começavamos a incomodar’’.
FuturoSobre o futuro do clube, Mário Celso Petraglia fez questão de separar em tópicos. ‘‘Tudo aquilo que foi prometido será cumprido. Acredito que ficaremos mais fortes ainda para concluir o estádio’’, afirmou. Mas sobre a parceiria com a Umbro, disse que é cedo para afirmar qualquer coisa. ‘‘Ainda não sei qual a posição da Umbro. Acredito que eles vão pensar com muito carinho sobre tudo o que aconteceu’’, disse.
Ele lembrou que o clube ainda não recebeu a sentença. ‘‘Não sabemos o que contém a sentença, a que o Atlético foi condenado e em quais os artigos está sentenciado ’’, comentou. Ele reafirmou que a diretoria vai estudar qual o melhor caminho a ser tomado. ‘‘Mas com certeza vamos entrar na Justiça Comum’’.
Petráglia explicou por que, mesmo depois de ter sido procurado por Ivens Mendes, ex-presidente da Conaf, não denunciou a tentativa de extorção. ‘‘Ele tinha poder. Não seria eu, que acabara de entrar no futebol, a denunciar o sistema. Veja o que aconteceu, sem termos denunciado a cúpula da CBF’’, disse. Ele reafirmou que não mandou dinheiro para o ex-presidente da Conaf. ‘‘Ele me telefonou desesperado, pois precisava pagar suas despesas. Disse que iria ajudá-lo, mas não o fiz’’, declarou.
‘‘Imaginei que era melhor ser simpático ao sistema, para que deixassem o atlético crescer. Este, acredito, foi o meu erro’’, comentou Petraglia. Ele confirmou que conhecia e até tinha uma amizade com dirigentes da CBF. ‘‘Conheço Ricardo Teixeira, o Gilberto Coelho e outros membros da diretoria’’.
Petraglia defende a criação de uma CPI do Futebol para que se descubra tudo o que envolve a CBF: ‘‘Ninguém sabe o que acontece lá dentro, como são feitos os contratos e quem recebe o dinheiro. Abro minhas contas e quebro meu sigilo telefônico para que possam investigar tudo’’.

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